Colheita de milho acelera em julho e aumento da oferta pode pressionar os preços no Brasil

Colheita de milho acelera em julho e aumento da oferta pode pressionar os preços no Brasil

Se você acompanha o preço do milho de perto, já percebeu que o mercado andou de lado nos últimos dias. Essa estabilidade não é acaso. Existe uma disputa direta entre quem quer vender mais caro e quem quer comprar mais barato, e entender essa disputa ajuda você a decidir o melhor momento para negociar a sua produção ou fechar compras para a propriedade.

Por que o preço do milho está andando de lado na B3

No mercado futuro, o contrato de setembro tenta romper a barreira dos R$ 67,50, mas os vendedores seguem firmes para não deixar esse rompimento acontecer. Essa queda de braço tende a se resolver conforme a colheita da segunda safra avança a partir de julho.

Na prática, quando a oferta cresce no campo, a pressão para baixo nas cotações costuma aumentar. Se o suporte de R$ 66,20 a R$ 66,30 for perdido, existe espaço para uma nova queda no preço do milho nas próximas semanas.

Como está a colheita da segunda safra

A colheita nacional está em estágio inicial, próxima de 10% concluída. O Mato Grosso, que tradicionalmente sai na frente, já está em torno de 15%. As primeiras áreas colhidas, principalmente na região médio norte do estado, trazem produtividade satisfatória, até acima do esperado no início do plantio.

Esse cenário positivo não é uniforme em todo o país. Algumas regiões enfrentam dificuldades reais:

  • Vale do Araguaia, em Mato Grosso, sofreu com seca e plantio fora da janela ideal
  • Goiás deve registrar quebra mais significativa de produtividade
  • Minas Gerais e partes do Mato Grosso do Sul também sentem o impacto

A expectativa geral para a segunda safra fica entre 105 e 110 milhões de toneladas. É uma safra menor que a do ano passado, mas ainda grande, e somada ao estoque de passagem mais confortável, indica oferta tranquila para este ano.

Demanda por milho segue firme, mas com cautela no curto prazo

As indústrias de ração já estão bem abastecidas no curto prazo e esperam o avanço da colheita para negociar com condições melhores. Isso reduz a liquidez no mercado físico agora, mas não significa fraqueza na demanda.

O setor de etanol de milho é o destaque de crescimento. Os dados de consumo até maio mostram alta de cerca de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor de nutrição animal também cresce, em ritmo mais moderado, mas sobre uma base de consumo já bastante grande.

Para você que trabalha com pecuária ou indústria que usa milho como insumo, esse movimento de demanda forte tende a sustentar o preço do milho em um piso mais alto, mesmo sem uma alta expressiva no curto prazo.

Exportação: o grande ponto de atenção para o segundo semestre

Aqui está o fator que pode pesar mais sobre o preço do milho daqui para frente. A Argentina colhe uma safra histórica, acima de 60 milhões de toneladas, e deve entrar agressiva no mercado internacional. Os Estados Unidos também avançam bem com a sua safra e devem chegar ao segundo semestre com volume robusto disponível para exportar.

Até agora, os embarques de milho brasileiro estão acima dos números do ano passado, mas essa dinâmica pode mudar no segundo semestre, justamente quando o Brasil tem mais volume de exportação de milho para colocar no mercado e precisa competir com argentinos e norte-americanos ao mesmo tempo.

Indicador Situação atual Expectativa para o 2º semestre
Safra Brasil 105 a 110 milhões de toneladas Avanço da colheita aumenta oferta
Safra Argentina Acima de 60 milhões de toneladas Entrada agressiva nas exportações
Safra EUA Lavouras em boas condições Safra robusta, acima de 400 milhões de toneladas
Exportação Brasil Acima do volume do ano passado Maior concorrência pode reduzir ritmo

Custos de produção para a safra 2026/27

Se você já está planejando o próximo ciclo, vale considerar o que o mercado de insumos está sinalizando. A ureia teve uma correção forte de preços e voltou a patamares próximos do período anterior à guerra na Ucrânia, o que é uma boa notícia. Por outro lado, os fosfatados ainda enfrentam um gargalo de oferta que deve continuar por mais tempo.

Some a isso os juros altos e a escassez de crédito, e o cenário aponta para um produtor mais cauteloso na formação de custos, com possível redução na área plantada tanto na primeira quanto na segunda safra de milho.

O que acompanhar em Chicago

No mercado internacional, a CBOT entra no período tradicionalmente chamado de mercado de clima. As condições de lavoura nos Estados Unidos estão boas, e o monitor de seca até mostrou melhora na última semana. A expectativa de uma safra acima de 400 milhões de toneladas tende a pressionar as cotações lá fora no fim do segundo semestre, quando a colheita confirmar esse volume.

Cotações do milho na B3 neste momento

Contrato Preço por saca Variação
Julho 26 R$ 63,82 -0,17%
Setembro 26 R$ 66,83 -0,30%
Janeiro 27 R$ 73,80 -0,37%
Março 27 R$ 74,73 -0,53%

O que fazer com essas informações na sua propriedade ou negócio

Se você ainda tem milho para vender, o cenário de curto prazo não é dos mais favoráveis, e a pressão deve continuar enquanto a colheita avança. Já se você compra milho, seja para ração, etanol ou nutrição animal, a tendência é de margens melhores à frente, com mais oferta disponível e poder de negociação maior do seu lado.

Para os dois perfis, o ponto central para os próximos meses é o ritmo da exportação de milho brasileira frente à concorrência de Argentina e Estados Unidos. Esse indicador, mais do que qualquer outro, deve direcionar o preço do milho no segundo semestre.

Acompanhar boletins semanais de mercado e cotações da B3 e da CBOT te dá vantagem para decidir o momento certo de fechar negócio, seja venda ou compra.

FAQ- Perguntas Frequentes

P: O preço do milho vai subir nos próximos meses?

R: A tendência de curto prazo é de pressão para baixo, conforme a colheita da segunda safra avança a partir de julho. Uma recuperação mais consistente depende do ritmo das exportações brasileiras frente à concorrência da Argentina e dos Estados Unidos.

P: Qual a expectativa de produção da segunda safra de milho neste ano?

R: A estimativa fica entre 105 e 110 milhões de toneladas no Brasil. É uma safra menor que a do ano anterior, mas ainda considerada grande, com produtividade acima do esperado nas primeiras áreas colhidas.

P: Por que a exportação de milho é tão importante para o preço?

R: Porque o Brasil concentra o maior volume de venda externa justamente no segundo semestre, período em que Argentina e Estados Unidos também colhem safras grandes. Mais concorrência no mercado internacional tende a pressionar as cotações brasileiras.

P: Os custos de produção de milho vão aumentar para a próxima safra?

R: A ureia já corrigiu para patamares mais baixos, mas os fosfatados seguem com gargalo de oferta. Some a isso juros altos e crédito mais escasso, o que deve deixar o produtor mais cauteloso na formação de custos para 2026/27.

P: O que o mercado de Chicago indica para o milho americano?

R: As lavouras estão em boas condições e o monitor de seca melhorou na última semana. Com expectativa de safra acima de 400 milhões de toneladas, a pressão sobre os preços deve aumentar quando a colheita confirmar esse volume.

Referencia

Notícias Agrícolas — Entrevista com Eduardo Secarécio (Agrifato Consultoria) sobre o mercado do milho — https://youtu.be/LdG63uUunj0

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