Você que acompanha o setor sucroenergético já percebeu: o açúcar vive semanas de forte viés baixista. Mesmo com recuperações pontuais nas cotações, o sentimento entre analistas continua negativo para os próximos meses.
Segundo o analista de mercado Leonardo Silvestre, parte importante dessa pressão vem do comportamento dos fundos especulativos, que voltaram a ampliar a posição vendida em açúcar, hoje superior a 100 mil lotes. Esse movimento financeiro tem efeito direto sobre as cotações.
Por que o petróleo entra na conta do açúcar
O preço do petróleo também pesa nesse cenário. Quando o petróleo perde força, a paridade dos combustíveis muda, e isso afeta diretamente o etanol e, na sequência, o açúcar. Segundo o analista, esse encadeamento ajuda a explicar parte da pressão recente sobre as cotações.
Oferta global ainda confortável, mas com diferenças entre curto e médio prazo
Apesar das incertezas climáticas no radar, o mercado ainda trabalha com a leitura de que a oferta global está confortável no curto prazo. Isso acontece principalmente pelo bom desempenho da safra brasileira, com a moagem das usinas seguindo em ritmo normal.
Esse cenário ajuda a manter os preços pressionados, em alguns momentos próximos ou abaixo do custo de produção. O detalhe é que o próprio analista reconhece uma diferença relevante entre os horizontes de tempo: no curto prazo, a pressão é para queda, mas no médio e longo prazo, o clima e a performance das usinas podem mudar essa estrutura.
Clima ganha peso nas próximas decisões do mercado
Enquanto isso, o comportamento climático começa a ganhar espaço nas análises, com atenção especial ao possível retorno do El Niño. Segundo Silvestre, o fenômeno deve chegar com mais força entre agosto e setembro, podendo afetar diretamente Índia e Tailândia.
No Brasil, o efeito já aparece agora. Chuvas acima do normal durante a colheita têm interrompido a moagem em diversas regiões.
| Indicador (2ª quinzena de maio) | Resultado | Variação anual |
|---|---|---|
| Moagem de cana Centro-Sul | 41,55 milhões de toneladas | queda de 13,08% |
| Produção de açúcar | recuo adicional | queda de 25,62% |
Esses números, segundo dados da Unica, mostram que as chuvas não afetam só o campo. Elas também elevam custos logísticos e reduzem o ritmo operacional das usinas.
Brasil segue na liderança de custo, mas Índia e Tailândia ainda pesam no radar
Na prática, o Brasil mantém vantagem estrutural frente aos concorrentes asiáticos. Enquanto Tailândia e Índia operam com custos acima de R$ 1.700 por tonelada, o custo brasileiro fica entre R$ 1.400 e R$ 1.500.
Essa diferença de competitividade reforça a posição brasileira no mercado global, mas também abre espaço para que esses países adotem medidas como controle de exportações ou incentivo ao consumo interno, o que pode mexer no equilíbrio de oferta mais adiante.
O que isso significa para quem decide preço e momento de venda
Se você trabalha com açúcar, esse cenário pede atenção redobrada às telas de fim de ano e início de 2027, apontadas pelo analista como os vencimentos mais sensíveis a mudanças de fundamentos.
Ainda segundo a fonte, a posição de março tende a ganhar destaque, justamente por concentrar o equilíbrio entre a safra brasileira e o início da produção asiática. Acompanhar esse calendário ajuda a evitar decisões de venda só reativas ao humor de curto prazo do mercado.
Quer continuar de olho nos fundamentos que movem o preço do açúcar e do etanol? Acompanhe as próximas atualizações aqui no portal.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que os fundos especulativos pressionam o preço do açúcar?
R: Quando os fundos aumentam a posição vendida, eles apostam em queda de preço, e esse volume de contratos no mercado futuro acaba influenciando a cotação no mercado físico também.
P: Como o petróleo afeta o preço do açúcar?
R: O petróleo influencia a paridade dos combustíveis. Quando ele cai, o etanol perde competitividade frente à gasolina, o que pode levar usinas a direcionar mais cana para o açúcar, pressionando ainda mais a oferta e o preço.
P: O El Niño pode afetar a safra brasileira de açúcar?
R: O efeito mais imediato no Brasil já vem das chuvas acima do normal durante a colheita atual. O El Niño com mais força é esperado entre agosto e setembro, com impacto direto previsto principalmente sobre Índia e Tailândia.
P: Por que o Brasil tem vantagem de custo na produção de açúcar?
R: O custo de produção brasileiro fica entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada, contra mais de R$ 1.700 na Índia e na Tailândia, o que mantém o país mais competitivo mesmo em cenário de preços baixos.
Fonte Original
Notícias Agrícolas — Açúcar passa por momento de alta pressão global e cenário segue sendo pessimista para os preços — https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/sucroenergetico/423410-acucar-enfrenta-pressao-global-e-mantem-cenario-pessimista.html




