Exportações de café batem recorde em agosto puxadas pela nova safra

Exportações de café batem recorde em agosto

Agosto entrou para a história do setor cafeeiro brasileiro. As exportações de café somaram 4,155 milhões de sacas de 60 quilos, considerando todas as variedades, um salto de 31% frente ao mesmo mês de 2025. É o melhor resultado já registrado para um mês de agosto, segundo o relatório mensal do Cecafé divulgado nesta quinta-feira (10/09).

A receita também bateu recorde para o período. Foram US$ 1,331 bilhão em divisas, avanço de 19,8% na comparação anual. O motor por trás desse número tem nome e explicação simples: a safra 2026/27 finalmente ganhou volume no mercado depois de um início de ano travado por chuva na colheita.

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Por que agosto virou o mês da virada

Se você acompanha o setor, sabe que o primeiro semestre de 2026 foi de oferta apertada. O Brasil começou o ano com estoque menor, resultado de uma safra anterior mais fraca combinada com exportações elevadas em 2025. Some a isso as chuvas de julho, que atrasaram a colheita do arábica, e você tem o cenário perfeito para embarques represados.

Esse quadro mudou em agosto. Com a colheita avançando e mais grãos disponíveis, os exportadores conseguiram destravar o volume que estava parado. O resultado apareceu direto na estatística do mês.

Conilon e robusta puxam a fila do crescimento

O destaque proporcional ficou com o conilon e o robusta. Os embarques dessas variedades cresceram 53,6% na comparação anual e somaram 953.592 sacas, o melhor agosto da história para essas categorias.

Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, atribui o resultado à maior disponibilidade de arábica que chegou atrasada ao mercado e, principalmente, ao avanço das categorias canéforas, que vêm ganhando espaço e reconhecimento de qualidade no comércio internacional.

O arábica, mesmo com crescimento proporcional menor, segue como o carro-chefe da pauta. Foram 2,866 milhões de sacas exportadas em agosto, alta de 25,7%. O solúvel também teve bom desempenho, com 332.192 sacas e avanço de 24,3%.

Categoria Volume em agosto/26 (sacas) Variação anual
Total geral 4.155.000 +31%
Conilon e robusta 953.592 +53,6%
Arábica 2.866.000 +25,7%
Solúvel 332.192 +24,3%
Torrado e torrado/moído 3.816 +6,4%

O que o acumulado do ano-safra mostra

Somando julho e agosto, primeiro bimestre do ano-safra 2026/27, o Brasil já exportou 7,204 milhões de sacas, alta de 21,5% frente ao mesmo período da temporada anterior. A receita chegou a US$ 2,242 bilhões, avanço de 4,1%.

Já no acumulado de janeiro a agosto de 2026, a leitura é diferente. O volume total ficou em 25,073 milhões de sacas para 119 países, queda de 1,2% frente ao mesmo período de 2025. A receita cambial somou US$ 8,787 bilhões, recuo de 9,3%.

Ou seja, o mês de agosto foi forte o suficiente para virar manchete, mas ainda não compensou o buraco deixado pelo primeiro semestre fraco. Quem exporta café precisa olhar os dois números juntos para entender o ano de verdade.

Porto ainda é o gargalo que ninguém resolveu

Mesmo com o embarque em alta, o Cecafé segue alertando para um problema estrutural: a infraestrutura portuária brasileira continua limitando a operação do setor. Falta de capacidade e atraso na movimentação de carga forçam exportadores a remarcar embarque e manter café armazenado por mais tempo do que o planejado.

Isso tem custo direto. Armazenagem prolongada significa mais gasto logístico e menos previsibilidade para quem fecha contrato com comprador internacional.

Do lado positivo, a política tarifária dos Estados Unidos deixou de ser obstáculo. As tarifas sobre café solúvel brasileiro caíram em julho, e os demais tipos já haviam sido isentos em novembro de 2025. Com menos barreira comercial e mais café disponível, a entidade projeta manutenção de ritmo forte nos embarques nos próximos meses.

O que fica de aprendizado para quem trabalha com café

Para quem produz, comercializa ou exporta café, o cenário de agosto reforça um padrão conhecido do setor: disponibilidade de safra e infraestrutura logística pesam tanto quanto preço internacional na hora de fechar um bom resultado.

Vale acompanhar de perto:

  • Ritmo de colheita da safra 2026/27 nos próximos meses
  • Situação de fila e capacidade nos principais portos de exportação
  • Evolução da política tarifária americana para outras categorias
  • Comparação mês a mês entre volume embarcado e receita gerada

Fique de olho nas próximas atualizações do Cecafé aqui no Portal da Agroindústria para acompanhar se o ritmo recorde de agosto se mantém na safra 2026/27.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Por que as exportações de café bateram recorde em agosto de 2026?

R: A colheita da safra 2026/27 avançou depois de atrasos causados por chuva, liberando mais volume de café arábica, conilon e robusta para exportação no mês.

P: O ano de 2026 está melhor ou pior que 2025 para exportação de café?

R: O acumulado de janeiro a agosto ainda está 1,2% abaixo em volume e 9,3% abaixo em receita frente a 2025, mesmo com o recorde pontual de agosto.

P: Qual variedade de café teve o maior crescimento nas exportações?

R: O conilon e o robusta lideraram, com alta de 53,6% em relação a agosto de 2025, o melhor resultado histórico dessas categorias para o mês.

P: Os gargalos portuários ainda afetam a exportação de café brasileiro?

R: Sim. O Cecafé aponta que a falta de capacidade e os atrasos na movimentação de carga nos portos seguem elevando o custo logístico dos exportadores.

Fonte:

Portal do Agronegócio

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