Você vai entender o que está movendo o açúcar no Brasil neste momento. Depois do Carnaval, o mercado spot de açúcar branco em São Paulo ficou quieto, com poucas negociações entre usinas e distribuidores. O Cepea/Esalq aponta leve recuperação dos preços, mas o volume baixo faz as médias oscilar dia a dia sem indicar uma tendência firme. No exterior, as cotações sobem com mudanças cambiais e expectativas de comércio, enquanto o real mais valorizado torna as exportações menos atrativas e sustenta a pressão nas praças internacionais.
Após Carnaval, você observa baixa liquidez no mercado spot de açúcar branco em São Paulo
- Você acompanha que, após o Carnaval, o mercado spot de açúcar branco em São Paulo manteve-se pouco ativo, com poucas negociações entre usinas e distribuidores.
- Segundo o Cepea/Esalq, houve uma leve recuperação de preços na segunda metade de fevereiro, após ficarem abaixo de R$ 100 por saca de 50 kg nas semanas anteriores. Entre 18 e 20 de fevereiro, o indicador (açúcar cristal branco, cor Icumsa 130 a 180) ficou em R$ 100,53/saca, alta de 0,64% em relação à semana anterior. Pesquisadores destacam que o baixo volume deixa as médias mais sensíveis a variações diárias, refletindo movimentos de curto prazo e não uma tendência firme. indicador de preços do açúcar cristal Cepea.
- No agregado, esse comportamento mostra que o mercado doméstico continua instável, com oscilações pontuais e poucas operações efetivas.
Cenário externo sustenta ganhos nos preços globais
- No exterior, o açúcar começou a semana em alta, apoiado por fatores cambiais e expectativas de demanda global. Na ICE Futures US, o contrato março/2026 fechou em torno de 14,45 centavos de dólar por libra-peso (lbp), aproximadamente 1% acima da sessão anterior. O contrato maio/2026 encerrou próximo de 14,00 centavos/lbp, alta de cerca de 0,9%.
- A valorização do real brasileiro, que atingiu o maior nível frente ao dólar em quase dois anos, ajuda a puxar as cotações internacionais para cima, já que reduz a atratividade das exportações brasileiras, influenciando a oferta global.
- Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também avançou. O contrato maio/2026 ficou em torno de US$ 408,20 por tonelada, com ganho de US$ 1,60.
- Uma decisão recente da Suprema Corte dos EUA, que derrubou tarifas comerciais implementadas durante o governo Trump, gerou otimismo no setor. A leitura é de que esse movimento pode abrir espaço para maior participação do açúcar brasileiro no mercado norte-americano, o que tende a sustentar os preços internacionais no curto prazo.
Produção Centro-Sul e impacto nos números da safra
- Você entende que a UNICA apontou uma queda expressiva de 36% na produção de açúcar no Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro, totalizando cerca de 5 mil toneladas. Ainda assim, o volume acumulado da safra 2025/26 até janeiro mostrou leve crescimento de 0,9%, chegando a 40,24 milhões de toneladas, com 50,74% da cana destinada à fabricação de açúcar.
- Esses números contribuem para explicar o movimento de recuperação observado nas bolsas internacionais.
Etanol em queda no mercado doméstico
- Enquanto o açúcar mostra recuperação no exterior, o Etanol hidratado continua recuando nos preços no Brasil. Em Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 2.973,50 por metro cúbico, queda de 1,18% no dia e de 5,83% no acumulado de fevereiro.
- A desvalorização reflete menor demanda e pressiona as margens das usinas, que enfrentam custos crescentes e menor rentabilidade tanto na produção de biocombustível quanto de açúcar.
Perspectivas e desafios
- Você observa que, apesar da melhoria nas bolsas internacionais, o mercado brasileiro continua diante de desafios como liquidez limitada, variação cambial e custos operacionais elevados.
- No cenário global, a combinação de produção brasileira menor e possível aumento da demanda nos EUA cria espaço para uma recuperação gradual dos preços nas próximas semanas, mas o caminho permanece volátil.
Conclusão
Você acompanha que, neste momento, o que move o açúcar no Brasil é a combinação de liquidez, câmbio e custos operacionais elevados. Mesmo com a recuperação dos preços nas bolsas internacionais, o mercado doméstico permanece em baixa liquidez e sujeito a variações diárias que não apontam para uma tendência firme. A valorização do real tende a manter as exportações menos atrativas, mas também impulsiona cotações externas, enquanto o etanol em queda pressiona as margens das usinas. A queda de produção no Centro-Sul, ainda que seguida de leve crescimento agregado, explica parte dos movimentos recentes. No exterior, há espaço para continuação de ganhos, especialmente com cenários que favorecem maior participação brasileira no mercado norte-americano, porém a volatilidade persiste. Em resumo, se você acompanhar de perto a liquidez no spot, o comportamento do real, as mudanças na demanda global e os custos de produção, poderá navegar melhor pelos próximos dias e semanas, sem assumir uma tendência definitiva antes de sinais mais consistentes.
Frenquently asked questions
Por que o açúcar dispara no exterior e o mercado interno continua pressionado?
O açúcar externo sobe por demanda global e por fatores de câmbio. No Brasil, a liquidez é baixa e poucas negociações ocorrem entre usinas e distribuidores. O real mais forte torna as exportações menos atraentes, elevando os preços lá fora e mantendo o mercado interno sob pressão.
Como a valorização do real afeta as cotações internacionais do açúcar?
Real forte encarece o açúcar brasileiro em dólar, reduzindo exportações. Com menos oferta brasileira no mercado global, os preços internacionais sobem ou ficam firmes.
O que aconteceu com os contratos na ICE Futures US e na ICE Futures Europe recentemente?
EUA: contrato março/2026 fechou em 14,45 centavos de dólar por libra-peso; maio/2026 em 14,00 centavos. Subidas de cerca de 1% e 0,93%.
Europa: maio/2026 perto de US$ 408,20 por tonelada, alta de US$ 1,60, com outros vencimentos também em campo positivo.
Qual o papel da Suprema Corte dos EUA no setor de açúcar?
Ela anulou tarifas comerciais impostas na era Trump. Isso pode abrir espaço para mais açúcar brasileiro no mercado norte-americano, ajudando os preços internacionais no curto prazo.
Como a produção do Centro-Sul impacta o açúcar?
Unica mostrou queda de 36% na segunda quinzena de janeiro, ~5 mil toneladas. A safra 2025/26 até janeiro teve leve alta de 0,9%, chegando a 40,24 milhões de toneladas, com 50,74% da cana destinada ao açúcar.
O que acontece com o etanol no Brasil?
Etanol hidratado cai no mercado doméstico. Em Paulínia, ficou em R$ 2.973,50 por metro cúbico, -1,18% no dia e -5,83% no mês. Menos demanda pressiona as margens das usinas.
Como está a liquidez no mercado spot brasileiro?
Baixa movimentação. Poucas negociações entre usinas e distribuidores. As médias de preço ficam mais sujeitas a variações diárias.




