Inverno e Hortaliças: Requeima, Rizoctoniose e Pragas Exigem Manejo Preventivo Agora

Doenças nas Hortaliças no Inverno: Requeima, Rizoctoniose e Pragas

Se você cultiva batata, tomate ou outras hortaliças, o inverno é o período que pede mais atenção fitossanitária. As condições típicas da estação, como temperaturas mais baixas, formação frequente de orvalho, maior permanência de umidade nas plantas e menor evaporação, criam um ambiente favorável para o avanço de doenças nas hortaliças e o surgimento de pragas que podem comprometer a safra inteira.

Para 2026, o alerta é reforçado pelas mudanças climáticas e pela possibilidade de um evento de El Niño mais persistente, o que tende a alterar o regime de chuvas e ampliar a janela de risco fitossanitário nas principais regiões produtoras do país.

Segundo João Silvatti, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA para Hortifruti, a infestação de doenças e pragas pode ser silenciosa e extremamente agressiva. Muitas vezes, quando o produtor percebe os sintomas, os problemas já estão disseminados, tornando o controle mais difícil e caro.

Ou seja: quem age antes de ver o problema no campo sai com resultado muito melhor do que quem espera o sintoma aparecer para agir.

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Requeima: A Doença Que Pode Eliminar Até 70% da Produção de Tomate

 Doenças nas Hortaliças no Inverno: Requeima, Rizoctoniose e Pragas

A requeima (Phytophthora infestans) é considerada uma das doenças mais destrutivas para as culturas de batata e tomate. Durante o inverno, ela encontra exatamente as condições que precisa para se desenvolver: umidade elevada e temperaturas entre 18°C e 24°C.

Em áreas com alta densidade de plantas, o fungo se espalha com velocidade impressionante. Segundo dados da Embrapa, os prejuízos variam conforme a intensidade da infecção:

Cultura Perda potencial com requeima
Batata Até 50% da produção
Tomate Até 70% da produção
Sem controle algum Comprometimento total da lavoura

Esses números mostram por que o programa preventivo é inegociável: depois que a requeima está instalada, o controle fica muito mais difícil e o custo operacional aumenta significativamente.

Rizoctoniose: Perdas Silenciosas na Batata Desde o Início do Ciclo

Outra doença que exige atenção na safra de inverno é a rizoctoniose (Rhizoctonia solani). Diferente da requeima, que atinge a parte aérea da planta, ela age principalmente no início do desenvolvimento, comprometendo o sistema radicular e os brotos.

Os sinais mais comuns da rizoctoniose na batata são:

  • Morte de brotos antes da emergência
  • Redução no número e no tamanho dos tubérculos
  • Aparecimento de lesões escuras na superfície dos tubérculos, conhecidas como mancha-asfalto

Além de reduzir o rendimento por hectare, a doença prejudica a qualidade comercial da batata. Quando não controlada adequadamente, a rizoctoniose pode provocar perdas de até 30% na produtividade. Portanto, o monitoramento frequente e a adoção de um programa preventivo fazem toda a diferença, como destaca Silvatti.

As Pragas do Inverno que Não Podem Passar Despercebidas

Além das doenças nas hortaliças, o inverno também favorece o estabelecimento de pragas que causam danos diretos e indiretos às plantas. No tomate, na batata e em outras culturas do hortifruti, os principais problemas a monitorar são:

  • Mosca-branca: além do dano direto por sucção de seiva, transmite vírus que causam perdas expressivas de produtividade
  • Pulgões: se multiplicam rapidamente em temperaturas amenas e também vetorizam doenças
  • Mosca-minadora: cria galerias nas folhas, reduzindo a área fotossintética da planta
  • Traça-do-tomateiro: ataca frutos e brotações, comprometendo qualidade e produção
  • Vaquinha-da-raiz: dano no sistema radicular afeta o desenvolvimento e a produtividade

Cada uma dessas pragas tem janelas de maior pressão ao longo do inverno. Por isso, o monitoramento precisar ser frequente e sistemático, não apenas visual e eventual.

Como Estruturar o Manejo Preventivo na Prática

Com o aumento dos custos de produção e da pressão climática, o planejamento fitossanitário passou de boa prática para necessidade estratégica. Quem espera o problema aparecer para agir gasta mais, perde mais e tem menos chance de reverter o quadro antes que o dano se torne irreversível.

Alguns pontos práticos para estruturar o manejo preventivo nas hortaliças durante o inverno:

  • Monitore as lavouras pelo menos duas vezes por semana, com atenção especial a folhas novas, pontos de crescimento e partes baixas da planta, onde a umidade persiste por mais tempo
  • Comece o programa fungicida antes de ver sintomas, especialmente em regiões com histórico de requeima ou em períodos com orvalho frequente
  • Alterne princípios ativos nos fungicidas e inseticidas para reduzir o risco de resistência ao longo da safra
  • Controle o microclima dentro da lavoura: espaçamento adequado, poda de folhas baixas e boa ventilação reduzem a umidade no dossel e dificultam a proliferação de fungos
  • Registre as aplicações e os resultados do monitoramento: o histórico ajuda a identificar padrões e antecipar os momentos de maior pressão nos ciclos seguintes

O produtor que investe em monitoramento, planejamento e ferramentas adequadas amplia a capacidade de enfrentar períodos de maior pressão. Além disso, o manejo antecipado contribui para melhores resultados em produtividade, qualidade e rentabilidade ao longo da safra, como conclui Silvatti.


Acompanhe no Portal Agroindústria as atualizações sobre manejo fitossanitário, pragas e doenças nas hortaliças e outras culturas para proteger sua produção ao longo do ano.


FAQ – Perguntas Frequentes

P: Por que o inverno aumenta o risco de doenças nas hortaliças?

R: As condições típicas do inverno, como temperaturas mais baixas, formação frequente de orvalho e maior permanência de umidade nas plantas, criam um ambiente favorável ao desenvolvimento de fungos como o da requeima e da rizoctoniose. Além disso, algumas pragas se multiplicam com mais facilidade em temperaturas amenas.

P: Quais são as principais doenças da batata e do tomate no inverno?

R: As mais importantes são a requeima (Phytophthora infestans), que pode causar perdas de até 50% na batata e 70% no tomate, e a rizoctoniose (Rhizoctonia solani), que compromete o desenvolvimento inicial das plantas e pode reduzir em até 30% a produtividade da batata.

P: Como prevenir a requeima no tomate e na batata?

R: O controle mais eficiente é preventivo. Isso significa iniciar o programa fungicida antes do aparecimento dos sintomas, monitorar a lavoura com frequência, controlar a umidade no dossel com bom espaçamento e ventilação, e alternar princípios ativos nas aplicações para reduzir o risco de resistência.

P: Quais pragas ameaçam as hortaliças no inverno no Brasil?

R: As principais são mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, traça-do-tomateiro e vaquinha-da-raiz. Além de causar danos diretos às plantas, algumas dessas pragas também transmitem vírus que comprometem ainda mais a produtividade e a qualidade dos frutos.

Fonte Original
Portal do Agronegócio

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