Se você planta ou compra mandioca, o excesso de chuva deste período já aparece no preço e no abastecimento. O clima úmido nas principais regiões produtoras está reduzindo a disponibilidade de raízes para as indústrias, e com menos oferta de mandioca as unidades processam menos. O resultado é uma reposição mais lenta dos estoques de fécula e farinha.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse quadro tem limitado a pressão de queda sobre as cotações. Os preços dos derivados seguem acima dos registrados no mesmo período de 2025, embora cada segmento reaja de um jeito.
Veja também:
Preço da mandioca sobe para o maior nível desde maio com oferta limitada e demanda aquecida
Fécula: quatro semanas seguidas de queda na produção
A produção de fécula de mandioca recuou por quatro semanas consecutivas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. A sequência de quedas reduziu os estoques disponíveis e trouxe os compradores de volta ao mercado nos últimos dias.
Dois motivos explicam a pressa de quem compra:
- A necessidade de recompor posições nos estoques
- A preparação para o fim do ano, quando as fecularias fazem recesso
A combinação entre menos produção e compras retomadas ajuda a conter a pressão de baixa no mercado de fécula.
Farinha: Paraná é o mais afetado pela falta de raiz
No segmento de farinha, as chuvas comprometeram o abastecimento de raízes em todas as regiões pesquisadas. Segundo o Cepea, as empresas do Paraná foram as mais atingidas pela dificuldade de acesso à matéria-prima.
A oferta limitada reduz o ritmo de processamento justo quando a procura cresce, principalmente por atacadistas dos estados do Nordeste.
Procura sobe, mas o preço da farinha reage pouco
Mesmo com mais demanda e dificuldade de abastecimento industrial, os preços da farinha de mandioca reagiram pouco no período. Com isso, as margens das farinheiras seguem apertadas.
Na prática, o mercado de farinha mostra estoques menores e compradores mais ativos, mas com espaço limitado para reajustes. Quem processa precisa pagar a raiz mais cara, e nem sempre consegue repassar esse custo adiante.
Fécula e farinha lado a lado
A tabela resume o que o Cepea observou em cada segmento.
| Segmento | Situação da produção | Comportamento dos preços |
|---|---|---|
| Fécula | Queda por quatro semanas seguidas em todas as regiões | Pressão de baixa contida, compradores ativos |
| Farinha | Abastecimento de raízes comprometido, Paraná mais afetado | Pouca reação, margens apertadas |
O que fazer na hora de negociar sua mandioca
Se você produz ou compra mandioca, estas atitudes ajudam a decidir com mais segurança:
- Acompanhe a oferta de raízes na sua região, já que as chuvas restringem a colheita e o transporte.
- Converse com as fecularias e farinheiras sobre prazos de recesso, que antecipam as compras no fim do ano.
- Compare o preço da fécula e o da farinha, porque os dois mercados estão reagindo de formas diferentes.
- Se você é farinheiro, calcule a margem com o custo atual da raiz antes de fechar novas vendas.
- Planeje entregas e colheita considerando os dias de chuva, que dificultam o acesso às áreas.
Quer continuar acompanhando o mercado de mandioca e seus derivados? Siga o Portal da Agroindústria para receber as próximas análises sobre preços e oferta no campo.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que a oferta de mandioca caiu nas indústrias?
R: O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras reduziu a disponibilidade de raízes, levando as unidades a diminuir o processamento, segundo o Cepea.
P: Há quanto tempo a produção de fécula de mandioca vem caindo?
R: Por quatro semanas consecutivas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, o que reduziu os estoques e estimulou a procura dos compradores.
P: Por que os compradores estão mais ativos no mercado de fécula?
R: Eles precisam recompor estoques e querem se preparar para o fim do ano, quando as fecularias fazem recesso.
P: Qual região das farinheiras foi mais afetada pelas chuvas?
R: O Paraná, onde as empresas tiveram a maior dificuldade de acesso à matéria-prima, segundo o Cepea.
P: Os preços da farinha de mandioca subiram com a maior procura?
R: Pouco. Apesar da demanda maior, sobretudo de atacadistas do Nordeste, os preços reagiram pouco e as margens das farinheiras seguem apertadas.




