Defensivos biológicos: como escolher produtos de qualidade e evitar prejuízo na lavoura

Defensivos biológicos: como escolher produtos de qualidade

Se você já aplicou um bioinsumo e não viu resultado, sabe como isso abala a confiança no controle biológico. Esse é um dos alertas de Germison Tomquelski, mestre e doutor em Agronomia e pesquisador da consultoria Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS). Com os defensivos biológicos crescendo no campo, avaliar a qualidade do que você compra passou a pesar tanto quanto a decisão de usar.

Segundo o consultor, diferenças de formulação, concentração e potência podem levar a níveis de controle muito distintos. Para ele, a escolha do fornecedor precisa considerar a eficácia comprovada e a relação custo-benefício.

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A diferença de desempenho entre produtos é grande

Trabalhos conduzidos pela Desafios Agro encontraram produtos com índices de controle de 70% a 80%, enquanto outros ficaram perto de 10%, nas condições avaliadas.

Segundo Tomquelski, aumentar a dose de um produto de baixo desempenho nem sempre resolve. A análise precisa ir além da quantidade aplicada e olhar as características e a qualidade da solução.

O pesquisador cita estudos recentes com baculovírus, usados no controle de lagartas na soja e em outros cultivos. Nessas comparações, produtos com boa formulação e potência chegaram a cerca de 80% de controle, enquanto outros ficaram entre 20% e 30%.

Na prática, dois produtos com o mesmo nome de ingrediente podem entregar resultados completamente diferentes. Por isso, Tomquelski recomenda baculovírus de qualidade, desde que tenham origem referenciada.

Tipo de produto Controle observado
Produtos de alto desempenho 70% a 80%
Produtos de baixo desempenho cerca de 10%
Baculovírus bem formulado (lagartas na soja) cerca de 80%
Baculovírus de menor qualidade 20% a 30%

Um mercado de R$ 5,3 bilhões e cada vez mais fornecedores

Dados da consultoria Kynetec mostram que o mercado de biológicos movimentou cerca de R$ 5,3 bilhões, alcançando 107 milhões de hectares no ciclo 2025/26.

A expansão atraiu mais empresas para o segmento. Para Tomquelski, isso torna ainda mais importante separar os fornecedores por resultado e parâmetros de qualidade. Os critérios que ele destaca são:

  • Concentração
  • Formulação
  • Potência
  • Efetividade
  • Retorno econômico do tratamento

Experiências ruins afetam a confiança do produtor

Mesmo considerando os biológicos importantes para a agricultura brasileira, Tomquelski observa que parte dos produtores resiste à adoção depois de experiências sem resultado.

Segundo ele, a frustração com um produto pode se estender a todo o segmento, o que dificulta o uso de soluções que funcionam de forma consistente. Muitos produtores aplicaram bioinsumos que não entregaram o esperado e passaram a duvidar da eficácia dos produtos. Para o consultor, a comprovação de desempenho é decisiva para reconstruir a confiança e ampliar a adoção.

O resultado a campo vai separando as empresas

Tomquelski avalia que os próprios agricultores e demais agentes do agronegócio já escolhem fornecedores com base na experiência de uso, na qualidade das formulações e no custo-benefício. Esse movimento favorece as empresas que mostram consistência nos resultados.

Ainda assim, ele afirma que produtos sem eficácia continuam prejudicando a reputação do mercado.

Defensor da integração dos biológicos ao manejo, o pesquisador lembra que a diversidade de cultivos e a continuidade dos ciclos de pragas no Brasil aumentam a necessidade de ferramentas de controle. Nesse cenário, a qualidade do insumo é o fator central para transformar o potencial da tecnologia em resultado na lavoura.

Como escolher um fornecedor de biológicos

Se você quer usar biológicos sem repetir experiências ruins, siga esta ordem:

  • Peça dados de eficácia em condições parecidas com as da sua lavoura, e não só a descrição do produto.
  • Confira concentração, formulação e potência do produto, além do preço por hectare.
  • Prefira fornecedores com origem referenciada, principalmente em produtos como baculovírus.
  • Compare o custo-benefício, e não apenas o preço da embalagem.
  • Faça uma área de teste antes de aplicar em toda a lavoura, para validar o resultado.
  • Converse com outros produtores e consultores da sua região sobre o desempenho que eles obtiveram.

Quer continuar acompanhando o que muda no manejo biológico e no controle de pragas? Siga o Portal da Agroindústria para receber as próximas análises sobre bioinsumos, defensivos e produtividade.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Por que a qualidade dos defensivos biológicos importa tanto?

R: Porque diferenças de formulação, concentração e potência levam a níveis de controle muito diferentes, e produtos fracos prejudicam a lavoura e a confiança do produtor nos biológicos.

P: Qual a diferença de controle entre produtos biológicos?

R: Avaliações da Desafios Agro encontraram produtos com 70% a 80% de controle e outros próximos de 10%, nas condições avaliadas.

P: Aumentar a dose de um biológico fraco resolve?

R: Nem sempre. Segundo o pesquisador Germison Tomquelski, a análise precisa considerar as características e a qualidade da solução, e não só a quantidade aplicada.

P: Qual o tamanho do mercado de biológicos no Brasil?

R: Dados da Kynetec indicam cerca de R$ 5,3 bilhões e alcance de 107 milhões de hectares no ciclo 2025/26.

P: Que critérios usar para escolher um fornecedor de biológicos?

R: Concentração, formulação, potência, efetividade e retorno econômico do tratamento, além de origem referenciada do produto.

Fonte de Referência

Portal do Agronegócio

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