Se você produz soja ou milho no Mato Grosso, ou acompanha o mercado de grãos de perto, outubro chegou com informações que pesam diretamente na decisão de vender agora ou segurar a produção. O custo de carrego do milho está entre os pontos mais críticos deste momento, e entender esse número pode evitar um prejuízo significativo nos próximos meses.
Vale conhecer os principais dados de plantio, custo de produção e comportamento dos preços para ajustar sua estratégia com mais segurança.
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Como está o plantio da soja no Mato Grosso
Na prática, o plantio no estado avança em ritmo acelerado. Até o dia 16 de outubro, a soja no Mato Grosso já estava com 51,86% da área plantada, um salto de 18 pontos percentuais em relação à semana anterior. Em termos nacionais, a CONAB estimava 15,6% da área de soja semeada no início de outubro, com o Mato Grosso em 22,5% e o Paraná em 36%.
Pensando na rotina do seu negócio, esse ritmo de plantio importa porque sinaliza como a oferta brasileira deve se comportar nos próximos meses, o que influencia diretamente os prêmios de exportação.
Comercialização: soja bem mais negociada que o milho
Até setembro, quase 44% da soja do Mato Grosso já havia sido vendida, enquanto o milho que será plantado em fevereiro e março tinha apenas 20% comercializado. Esse descompasso reflete a diferença de confiança do produtor em relação ao preço futuro de cada commodity neste momento.
O custo de produção que você precisa ter na ponta do lápis
O detalhe que faz diferença para fechar a conta da safra é separar os três níveis de custo. No caso da soja no Mato Grosso, com produtividade média estimada em 62,44 sacas por hectare:
| Tipo de custo | Valor por hectare | O que inclui |
|---|---|---|
| Custo operacional efetivo | R$ 6.028 | Insumos, manutenção de máquinas, operação |
| Custo operacional total | R$ 6.700 | Custo efetivo + depreciação de máquinas e infraestrutura |
| Custo total | R$ 8.210 | Custo operacional total + remuneração sobre o valor da terra |
Com esses números, é necessário colher 72 sacas por hectare para fechar o custo total ao preço atual da soja.
No milho, o custo operacional efetivo está em R$ 5.500, o operacional total em R$ 6.000, e o custo total em R$ 7.384. Para cobrir esse custo total, são necessárias 150 sacas por hectare, considerando a diluição em duas safras praticada no Mato Grosso.
Por que o estoque de milho preocupa tanto
O ponto mais sensível do mercado agora é o estoque de milho. Segundo a CONAB, o Brasil deve fechar o ano-safra, em 1º de fevereiro de 2027, com 16 milhões de toneladas em estoque. A previsão de redução para o ano seguinte é de apenas cerca de 1 milhão de toneladas, fechando 2028 com aproximadamente 15 milhões de toneladas, praticamente sem alívio significativo.
Esse volume alto se soma a dois fatores de pressão adicional: a entrada da colheita da primeira safra de milho no Sul a partir de fevereiro, e a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a colheita da soja que vem logo em seguida. Isso significa que o milho estocado precisa sair, o que tende a pressionar os preços para baixo.
O custo real de segurar o milho até março
Se você está considerando guardar o milho esperando valorização, o cálculo é fundamental. O custo de carrego para quem pretende segurar o milho de setembro até março de 2027 foi estimado em R$ 11,61 por saca, considerando juros sobre o capital parado, armazenagem e quebra técnica.
Pensando na rotina do seu negócio, isso significa que o milho só compensa ser guardado se você acreditar que a valorização vai superar esse custo de R$ 11,61 por saca. Caso contrário, vender agora e eventualmente comprar uma trava de alta pode ser mais vantajoso do que arcar com o custo de armazenagem.
Juros altos tornam o carrego ainda mais caro
Com a Selic em 13,25% e inflação projetada para fechar acima da meta, próxima de 5%, o custo de manter grãos estocados tende a permanecer elevado por um bom tempo. Isso vale tanto para milho quanto para soja e outros grãos.
O que a correlação soja-milho em Chicago está sinalizando
Um dado técnico que merece atenção é a correlação entre os preços de soja e milho na bolsa de Chicago. Historicamente essas duas commodities caminham próximas, mas atualmente a soja está relativamente mais cara que o milho nessa comparação.
Se esse padrão se mantiver até fevereiro, quando os produtores americanos decidem o que plantar, a tendência é que eles priorizem soja em detrimento do milho na próxima safra americana. Isso pode impactar os preços de entrega física brasileira para maio, reforçando a recomendação de adotar uma postura mais defensiva nas vendas de soja.
Boi gordo: oportunidade no spread entre físico e futuro
Para quem trabalha com pecuária, vale observar o spread atual entre o mercado físico e o contrato futuro de boi gordo. O contrato de janeiro 2027 está cotado próximo de R$ 395 por arroba, enquanto o mercado físico está cerca de R$ 17 por arroba abaixo desse valor.
Essa discrepância tende a se fechar até o vencimento, seja pelo físico subindo até encontrar o futuro, seja pela bolsa recuando até o nível do físico. Se você acredita que o físico não vai subir o suficiente para cobrir essa diferença, travar o preço no contrato futuro pode ser uma proteção interessante, especialmente considerando que a expectativa de boa oferta de pasto no fim do ano pode manter o físico pressionado.
O que fazer na prática diante desse cenário
- Calcule o custo de carrego do seu milho antes de decidir guardar a produção esperando valorização, usando como referência o patamar de R$ 11,61 por saca até março
- Revise seu custo total de produção de soja e milho para saber exatamente quantas sacas por hectare você precisa colher para cobrir os custos e ter lucro
- Acompanhe a correlação entre soja e milho em Chicago, já que ela pode sinalizar mudanças na decisão de plantio americano e afetar o preço de entrega física brasileira
- Se você é pecuarista, avalie travar parte da produção no contrato futuro de boi gordo, aproveitando o spread atual entre físico e futuro
- Se você consome milho, como em confinamento ou produção de ração, considere travar o preço agora, já que o mercado está próximo da mínima do contrato
- Monitore os relatórios semanais do USDA sobre colheita e exportação nos Estados Unidos, que influenciam diretamente o comportamento dos preços em Chicago
Se você já passou pela experiência de guardar grão esperando um preço melhor e viu o custo de armazenagem consumir boa parte do ganho esperado, esse é o momento de rodar essa conta com cuidado antes de decidir. O cenário de estoque alto de milho e juros elevados torna o carrego mais caro do que em safras anteriores, o que exige decisões mais criteriosas sobre vender agora ou esperar.
Se esse conteúdo te ajudou a entender melhor o cenário de custos e preços para a safra 2026/27, continue acompanhando o Portal da Agroindústria para mais análises que ajudam na tomada de decisão na sua propriedade.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quanto custa segurar o milho em estoque até março de 2027?
R: O custo de carrego estimado é de R$ 11,61 por saca, considerando juros, armazenagem e quebra técnica entre setembro e março.
P: Por que o estoque de milho no Brasil preocupa o mercado?
R: Porque a previsão é de 16 milhões de toneladas em estoque no início de 2027, com redução muito pequena para o ano seguinte, o que tende a pressionar os preços para baixo.
P: Quantas sacas de soja por hectare são necessárias para cobrir o custo total no Mato Grosso?
R: Com o custo total estimado em R$ 8.210 por hectare, são necessárias 72 sacas por hectare para cobrir integralmente esse custo.
P: O que a correlação entre soja e milho em Chicago indica para o produtor brasileiro?
R: Quando a soja fica relativamente mais cara que o milho, isso pode indicar que os produtores americanos vão plantar mais soja na próxima safra, afetando os preços de entrega física no Brasil.
P: Vale a pena o pecuarista travar o preço do boi gordo no contrato futuro agora?
R: Pode ser vantajoso, já que existe um spread de cerca de R$ 17 por arroba entre o físico e o futuro de janeiro, diferença que tende a se fechar até o vencimento do contrato.
Fonte de Referência:
Mesa da Gestão TD Agro — Custos, estoques e preços de milho e soja com Rodrigo, Daniel e Fernando




