Agosto fechou com um cenário contraditório para quem vive da avicultura de corte no Brasil. Enquanto o mercado interno amargou quedas sucessivas no atacado, o comércio exterior surpreendeu com um salto de mais de 40% na receita das exportações. Se você trabalha com frango, seja na produção, na distribuição ou no varejo, entender essa dualidade é o que vai orientar suas próximas decisões.
Por que o excesso de oferta pesa tanto agora
O desequilíbrio entre produção e consumo interno segue sendo o principal fator de pressão sobre o preço do frango no Brasil. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a saída para recuperar as margens do setor passa por um ajuste direto no alojamento de pintinhos. Na prática, isso significa produzir menos até que a oferta volte a caber na capacidade real de absorção do mercado.
Enquanto esse ajuste não acontece, o frango segue sendo a proteína mais barata do mercado, o que ajuda a sustentar o consumo, mas ainda não é suficiente para segurar as cotações. Se você compra insumos ou negocia contratos de fornecimento, esse é o tipo de sinal que costuma anteceder revisões de preço nos próximos meses.
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Os números que confirmam a pressão sobre o preço do frango
No atacado paulista, os cortes congelados e resfriados de frango recuaram ao longo de agosto. A tabela abaixo resume a movimentação registrada pela Safras & Mercado.
| Corte | Modalidade | Início de agosto | Final de agosto |
|---|---|---|---|
| Peito congelado | Atacado | R$ 8,10/kg | R$ 8,00/kg |
| Coxa congelada | Atacado | R$ 6,50/kg | R$ 6,40/kg |
| Asa congelada | Atacado | R$ 11,50/kg | R$ 11,50/kg |
| Peito resfriado | Atacado | R$ 8,20/kg | R$ 8,10/kg |
| Coxa resfriada | Atacado | R$ 6,80/kg | R$ 6,70/kg |
| Asa resfriada | Atacado | R$ 11,60/kg | R$ 11,60/kg |
Na distribuição, o movimento foi parecido: o peito congelado caiu de R$ 8,30 para R$ 8,20 por quilo, e a coxa recuou de R$ 6,70 para R$ 6,60. O peito resfriado passou de R$ 8,40 para R$ 8,30 por quilo.
O frango vivo, por sua vez, mostrou um comportamento bem mais dividido entre regiões. No Centro-Sul, os preços subiram: em São Paulo, o quilo passou de R$ 5,00 para R$ 5,20, e em Minas Gerais e no Distrito Federal, de R$ 4,60 para R$ 4,80. Já no Nordeste e no Pará, a queda foi acentuada. O Ceará viu o preço do frango vivo cair de R$ 6,80 para R$ 5,50 por quilo, uma retração de quase 19%. Pernambuco caiu 14,3% e o Pará, 11,1%.
Se você opera fora do Centro-Sul, essa diferença regional merece atenção redobrada, porque mostra que a crise de oferta não bate igual em todo o país.
Impacto prático para quem vive do frango
Para o produtor independente do Nordeste, o cenário exige cautela extra no planejamento de alojamento, já que a queda de preços por lá foi muito mais severa do que no Sul e Sudeste. Para quem está no Centro-Sul, a valorização recente do frango vivo é um respiro, mas ainda não representa uma reversão de tendência.
No mercado externo, a notícia é mais animadora. Em 15 dias úteis de agosto, as exportações brasileiras de carne de aves somaram US$ 673,77 milhões, com média diária de US$ 44,92 milhões, um avanço de 44,1% frente ao mesmo período de 2025. O volume embarcado chegou a 337,9 mil toneladas, com alta de 26,6% no volume médio diário, e o preço médio da tonelada subiu 13,8%, para US$ 1.994.
Isso significa que parte da oferta excedente está encontrando escoamento fora do país, o que ajuda a aliviar a pressão interna, mesmo sem resolver o problema por completo. Se você exporta ou fornece para frigoríficos com pauta de exportação, esse é um momento favorável para negociar volumes maiores.
O que vai definir os próximos meses é o ritmo dos alojamentos. Sem um ajuste mais consistente na produção, o preço do frango no mercado interno deve continuar pressionado, mesmo com a demanda por uma proteína mais acessível e as exportações batendo recorde.
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FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que o preço do frango caiu no atacado em agosto?
R: O excesso de oferta em relação ao consumo interno pressionou os cortes congelados e resfriados para baixo, principalmente no mercado paulista.
P: O preço do frango vivo caiu em todo o Brasil?
R: Não. Subiu no Centro-Sul, como em São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, mas despencou no Nordeste e no Pará.
P: As exportações de frango ajudam a segurar o preço interno?
R: Ajudam parcialmente, escoando parte da oferta excedente, mas não são suficientes sozinhas para reverter a pressão sobre as cotações internas.
P: O que pode recuperar o preço do frango nos próximos meses?
R: O ajuste no alojamento de pintinhos, reduzindo a oferta até equilibrar com a capacidade de consumo do mercado.




