Se você acompanha o mercado de café, setembro trouxe dois sinais que andam em direções opostas. De um lado, a exportação de café brasileira registrou o maior volume em 20 meses. De outro, o excesso de chuva no fim da colheita de 2026 gerou dúvidas sobre a oferta de arábicas de melhor padrão, o que pode mexer com os preços nos próximos meses.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de café em grão somaram 3.930.013 sacas de 60 quilos em setembro, com receita de US$ 1,294 bilhão.
Volume cresce, preço por saca cai
Nos 21 dias úteis de setembro, o Brasil exportou em média 187.143 sacas por dia. A receita média diária foi de US$ 61,609 milhões, e o preço médio ficou em US$ 329,21 por saca.
Na comparação com setembro de 2025, os números mostram um trade-off claro:
| Indicador (média diária) | Variação vs. setembro/2025 |
|---|---|
| Volume embarcado | +20,4% |
| Receita | +8,7% |
| Preço médio por saca | -9,8% |
Ou seja, o aumento dos embarques compensou a queda no valor recebido por saca. O relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), com o consolidado de cafés verdes e industrializados, estava previsto para o dia 9.
Nas bolsas de Nova York, referência para o arábica, e de Londres, para o robusta, a semana foi de volatilidade. A chegada da produção brasileira e a expectativa de mais oferta de outras origens pressionam as cotações, enquanto a qualidade dos grãos e os riscos climáticos seguram a percepção de um abastecimento mais confortável.
Veja também:
Exportações de café batem recorde em agosto puxadas pela nova safra
O que mudou no mercado em setembro
Durante o 12º Safras Agri Week, o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, explicou o que sustentou os preços no meio do ano. A alta entre julho e agosto veio do atraso da safra brasileira, dos estoques baixos e do reposicionamento das carteiras dos fundos.
Em setembro, o cenário virou. A produção passou a chegar com mais força às cooperativas, aos armazéns e aos portos, ampliando a oferta ao mercado internacional.
Segundo o analista, dois movimentos acompanharam essa mudança:
- Os fundos reduziram as posições líquidas compradas
- Os estoques certificados em Nova York cresceram
As primeiras floradas e as chuvas também melhoraram, naquele momento, a expectativa para a próxima safra brasileira.
Por que a qualidade do arábica pesa na conta
Apesar do avanço da oferta, Barabach destacou que o excesso de chuva e umidade durante a colheita prejudicou a qualidade do arábica em importantes regiões produtoras.
Na avaliação do consultor, isso pode reduzir a disponibilidade comercial de certos padrões de café e enfraquecer a expectativa de uma oferta mais tranquila. A referência de exportação de 50 milhões de sacas, atribuída à percepção do mercado externo, precisa ser lida à luz da qualidade realmente disponível. É uma expectativa de mercado, não um volume confirmado.
Na prática, o efeito sobre o seu preço depende do tipo de café que você vende. Para Barabach, os cafés de melhor qualidade tendem a ganhar valor relativo se ficarem mais escassos, enquanto os lotes de padrão inferior podem sofrer mais pressão.
Mais café de outras origens no fim do ano
O analista espera reforço no abastecimento internacional com a chegada de café da Colômbia, da América Central, da África e do Vietnã no último trimestre. Isso amplia as alternativas de compra para o comprador e pode aumentar a pressão sobre as cotações.
O mercado, porém, segue sujeito a correções depois de quedas acentuadas, a mudanças nas posições dos fundos e a oscilações cambiais.
Safra 2027 começa bem, mas o clima ainda decide
As primeiras floradas e as chuvas depois da floração indicam um começo favorável para a safra brasileira de 2027, tanto no conilon do Espírito Santo quanto no arábica, segundo Barabach.
O ciclo, no entanto, está só no início. O consultor aponta o último trimestre como período de atenção, diante da possibilidade de menos chuva e da formação de bolsões de calor em regiões produtoras.
Por isso, o mercado acompanha duas frentes ao mesmo tempo: a qualidade do café disponível da safra 2026 e as condições do clima que vão moldar a produção de 2027.
O que acompanhar se você vende café
Se a exportação de café entra no seu planejamento de comercialização, estes pontos merecem atenção nas próximas semanas:
- Classifique e separe os lotes por qualidade, já que o mercado tende a premiar os melhores padrões e pressionar os inferiores.
- Acompanhe o relatório do Cecafé para confirmar o ritmo dos embarques de cafés verdes e industrializados.
- Observe as cotações em Nova York e Londres, que seguem voláteis com a chegada de café de outras origens.
- Monitore as chuvas e as temperaturas no último trimestre, período crítico para o desenvolvimento da safra 2027.
- Considere o câmbio na hora de definir o momento de fixar preço, já que a oscilação do dólar afeta a receita em reais.
Quer continuar acompanhando os números e as tendências do mercado de café? Siga o Portal da Agroindústria para receber as próximas análises sobre exportação, preços e clima na cafeicultura.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quanto o Brasil exportou de café em setembro de 2026?
R: Segundo a Secex, os embarques de café em grão somaram 3.930.013 sacas de 60 quilos, com receita de US$ 1,294 bilhão, o maior volume em 20 meses.
P: O preço médio do café exportado subiu ou caiu em setembro?
R: Caiu. O preço médio ficou em US$ 329,21 por saca, queda de 9,8% sobre setembro de 2025, mas o volume médio diário subiu 20,4% e a receita média diária avançou 8,7%.
P: Por que a qualidade do arábica da safra 2026 preocupa o mercado?
R: O excesso de chuva e umidade no fim da colheita prejudicou a qualidade do arábica em importantes regiões produtoras, o que pode reduzir a oferta de padrões melhores.
P: O que pressiona as cotações do café nas bolsas?
R: A chegada mais intensa da safra brasileira, o aumento dos estoques certificados em Nova York, a redução das posições compradas dos fundos e a perspectiva de mais café de outras origens no último trimestre.
P: Como está o início da safra brasileira de café de 2027?
R: As primeiras floradas e as chuvas depois da floração indicam começo favorável no conilon do Espírito Santo e no arábica, mas o último trimestre exige atenção por causa do risco de menos chuva e calor.
Fonte de Referência:
Portal do Agronegócio | Exportações de café do Brasil avançam, mas qualidade da safra preocupa o mercado




