Se você ainda acha que a inteligência artificial é assunto só para grandes empresas de tecnologia, os números mostram outro cenário. A inteligência artificial no agronegócio já faz parte de produtos ou processos de 83% das 2.075 agtechs mapeadas no Brasil, segundo o Radar Agtech Brasil 2025, divulgado por PwC, Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens. Em 35% dessas empresas, a tecnologia está no centro da proposta de valor.
O levantamento mostra que a IA entra no setor por meio de sistemas de recomendação agronômica, modelos preditivos, plataformas de gestão e ferramentas de automação. As aplicações cobrem produção, administração, comercialização e apoio à tomada de decisão.
O que a IA faz no campo, além dos chatbots
O uso da IA na agricultura vai além das ferramentas que escrevem textos e respondem perguntas. A tecnologia cruza informações de clima, solo, imagens de satélite, sensores e histórico das lavouras. Essa análise pode apoiar decisões sobre manejo, aplicação de insumos, estimativa de produtividade e planejamento das operações.
Também há espaço para agentes de IA, que automatizam tarefas nas rotinas de produção e gestão das empresas.
Na prática, em vez de decidir a adubação olhando só para a análise de solo, você pode combinar essa análise com o histórico da área e a previsão de clima, e chegar a uma recomendação mais completa.
O potencial econômico estimado em US$ 250 bilhões
Uma análise da McKinsey estima que a combinação de IA analítica e generativa pode gerar US$ 250 bilhões em valor econômico para a agricultura. A divisão desse potencial é esta:
| Frente | Valor estimado |
|---|---|
| Produção (direto na lavoura) | cerca de US$ 100 bilhões |
| Atividades empresariais ao longo da cadeia | US$ 150 bilhões |
| Total | US$ 250 bilhões |
As oportunidades apontadas incluem melhor aproveitamento de insumos e mão de obra, mais produtividade, redução de custos e mais eficiência operacional. Vale lembrar que esses valores são uma estimativa de potencial, e não ganhos já realizados.
O que os executivos do setor planejam
O interesse também aparece nas estratégias das lideranças. Outro estudo citado no material mostra que 78% dos executivos do agronegócio no Brasil planejam investir na integração da IA com plataformas tecnológicas. Além disso, 61% avaliam que a IA generativa terá efeito positivo sobre a lucratividade do setor nos próximos anos.
Essas expectativas acompanham a busca por mais produtividade diante do custo de produção, dos eventos climáticos e da volatilidade dos mercados.
Capacitação é o que transforma dado em resultado
Para Luiz Tarifa, head de marketing e produto da Agroadvance, ter acesso às ferramentas não basta. É preciso saber identificar as aplicações que respondem aos problemas da operação.
Segundo ele, a formação de profissionais é importante para transformar desafios do agronegócio em usos práticos da IA, com foco em resultado. Esse será um dos temas de um encontro previsto para outubro, em Piracicaba (SP), em que especialistas vão apresentar aplicações práticas de IA no setor, com foco em decisões e na melhoria dos processos de produção e gestão.
Como começar a usar IA na sua propriedade
Você não precisa de uma estrutura grande para dar o primeiro passo. Uma ordem de trabalho possível:
- Liste os problemas que mais custam dinheiro na sua operação, como perda de insumo, parada de máquina ou erro de estimativa de safra.
- Organize os dados que você já tem, como histórico de produtividade, análises de solo e registros de clima.
- Pergunte ao seu técnico ou à sua cooperativa quais ferramentas de IA já existem para o seu tipo de produção.
- Comece por uma aplicação pequena, com resultado fácil de medir, antes de ampliar.
- Invista em capacitação da equipe, já que a ferramenta só rende quando alguém sabe aplicá-la ao problema certo.
- Acompanhe eventos e treinamentos práticos sobre o tema, que ajudam a ver exemplos reais.
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FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quantas agtechs brasileiras usam inteligência artificial?
R: Segundo o Radar Agtech Brasil 2025, 83% das 2.075 agtechs mapeadas já usam IA em produtos ou processos, e em 35% delas a tecnologia está no núcleo da proposta de valor.
P: Para que serve a inteligência artificial na agricultura?
R: Para cruzar dados de clima, solo, satélite, sensores e histórico das lavouras, apoiando decisões de manejo, uso de insumos, estimativa de produtividade e planejamento das operações.
P: Qual o potencial econômico da IA para a agricultura?
R: A McKinsey estima US$ 250 bilhões em valor econômico, sendo cerca de US$ 100 bilhões ligados à produção e US$ 150 bilhões às atividades empresariais da cadeia. É uma estimativa de potencial, não ganho já realizado.
P: Os executivos do agro planejam investir em IA?
R: Sim. Segundo estudo citado, 78% planejam investir na integração da IA com plataformas tecnológicas, e 61% acreditam que a IA generativa terá efeito positivo na lucratividade do setor.
P: Por que a capacitação importa no uso de IA no campo?
R: Porque o acesso à ferramenta precisa vir acompanhado da capacidade de identificar aplicações que resolvam problemas reais da operação, segundo Luiz Tarifa, da Agroadvance.
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