Uma pesquisa inédita da Serasa Experian revelou que 99% dos imóveis rurais do Paraná com cultivo de soja e milho já atendem aos critérios socioambientais exigidos pela nova regulamentação do seguro rural. O número surpreendeu até os próprios pesquisadores e traz uma mensagem prática direta para o produtor paranaense: você provavelmente já está apto. O próximo passo é contratar.
O que Mudou nas Regras do Seguro Rural
A Resolução CNSP 485 de 2025 introduziu um conjunto de exigências socioambientais como condição de elegibilidade para o seguro rural. A partir dessa norma, o produtor precisa atender a três requisitos básicos para ter acesso à apólice:
- CAR ativo: o Cadastro Ambiental Rural precisa estar regularizado ou em processo de validação pelo órgão competente
- Sem desmatamento irregular: a propriedade não pode ter registros de supressão de vegetação sem autorização
- Sem sobreposições críticas: a área não pode ter sobreposição com terras indígenas, comunidades quilombolas ou unidades de conservação
Esses critérios não são novos para quem já acessa crédito rural, pois o sistema financeiro já os exigia como condição para financiamento agrícola. O seguro rural está agora alinhado com o que o crédito já pratica, o que na prática significa que quem financia já cumpre as exigências do seguro.
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Os Números do Estudo
A Serasa Experian analisou um universo de mais de 542.000 imóveis rurais com CAR no Paraná. Após filtrar apenas os que tinham registro de ao menos 1 hectare de soja ou milho, chegou a 345.800 propriedades. Desse total:
| Situação | Quantidade | Percentual |
|---|---|---|
| Sem nenhuma restrição socioambiental | 345.800 | 99% |
| Com algum tipo de apontamento | ~3.200 | ~1% |
O estado foi escolhido para o estudo pela sua relevância no financiamento agrícola brasileiro. Só na última safra, mais de 2,5 milhões de hectares foram financiados no Paraná, gerando cerca de R$ 11 bilhões em crédito concedido em aproximadamente 70.000 operações. Tudo isso já passando pelos critérios de conformidade socioambiental, o que explica o alto índice de regularidade encontrado.
O que Representa o 1% com Apontamentos
Das propriedades com algum tipo de apontamento, a maioria dos casos envolve sobreposições com unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas ou registros de desmatamento. Mas o estudo ressalta que um apontamento de desmatamento não significa necessariamente que o produtor cometeu uma irregularidade.
Em vários casos, o que aparece como desmatamento no sistema é na verdade uma Supressão de Vegetação autorizada (SV), ou seja, uma retirada de vegetação feita dentro da lei com todos os documentos em ordem. Nesses casos, o produtor pode apresentar a documentação e demonstrar regularidade.
Para os casos de sobreposição com áreas protegidas, a situação é mais complexa e exige análise individualizada junto aos órgãos ambientais competentes.
Como o Produtor Verifica Sua Situação
O processo de verificação é mais simples do que a maioria imagina. O produtor pode acessar os sistemas dos órgãos ambientais competentes pela internet, informar o CPF e consultar se há alguma pendência associada à sua propriedade. Os principais pontos a verificar são:
- Situação do CAR no SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural)
- Existência de embargos ambientais vinculados ao CPF ou CNPJ do produtor
- Sobreposições de área identificadas pelo IBAMA ou órgãos estaduais
Se houver alguma irregularidade, o caminho mais comum é a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto ao órgão ambiental, seguido do processo de regularização da área. Para os casos mais simples, como pendências de CAR ainda em validação pelo órgão ambiental, o produtor não precisa fazer nada: a demora é da instituição, não dele.
A Serasa também oferece ferramentas de análise socioambiental utilizadas por empresas da cadeia agroindustrial e instituições financeiras para verificar a conformidade de produtores. Essas mesmas ferramentas podem orientar o produtor que queira ter um diagnóstico completo da sua situação antes de contratar o seguro rural.
Por que Ter o Seguro Rural Importa Agora
O contexto de 2026 reforça a necessidade do seguro rural como ferramenta de gestão de risco. Com a confirmação do El Niño e as previsões de chuvas intensas no Sul do Brasil entre setembro e novembro, produtores de soja e milho no Paraná estão diante de um ano com potencial de perdas acima da média histórica.
O seguro rural cobre exatamente esse tipo de risco. Quando um evento climático reduz ou elimina a produção esperada, a apólice garante que o produtor receba uma indenização que permite cobrir os custos investidos na lavoura e manter o fluxo de caixa para a próxima safra.
Sem o seguro, uma safra perdida significa dívida sem receita para cobri-la. Para quem já está com o crédito apertado e insumos caros, esse cenário pode inviabilizar a continuidade na atividade.
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Sustentabilidade Não é Mais Opcional na Cadeia do Agro
Um ponto central trazido pelo estudo é a mudança de posição da sustentabilidade dentro da cadeia produtiva. Ela deixou de ser um tema isolado de responsabilidade corporativa e passou a funcionar como componente de gestão de risco com impacto direto no acesso a crédito, seguro e mercados.
Hoje, produtores que não atendem às conformidades socioambientais enfrentam dificuldades concretas:
- Restrição ao crédito rural nas instituições financeiras
- Impedimento de contratar seguro rural
- Dificuldade de acesso a mercados internacionais mais exigentes, especialmente na Europa
- Exclusão de cadeias de suprimento de empresas que exigem rastreabilidade e conformidade ambiental dos fornecedores
O produtor regular, por outro lado, tem a porta aberta para todas essas possibilidades. A regularização não é apenas uma obrigação legal: é um ativo que aumenta o acesso a ferramentas financeiras e abre mercados.
O Próximo Passo para o Produtor
Se você cultiva soja ou milho no Paraná e ainda não tem o seguro rural contratado para a próxima safra, este é o momento de agir. O processo começa pela verificação da situação do CAR e da conformidade socioambiental da propriedade. Se tudo estiver em ordem, a contratação pode ser feita diretamente com a seguradora ou por meio do banco que opera o seu crédito rural.
Para produtores de outros estados, o estudo do Paraná funciona como um indicativo positivo. Se o estado com maior volume de financiamentos agrícolas do Brasil tem 99% das propriedades aptas, a tendência é que outras regiões com perfil semelhante de regularidade também apresentem altos índices de conformidade.
Acompanhe o Portal da Agroindústria para informações sobre seguro rural, crédito agrícola e estratégias de gestão de risco para o produtor brasileiro.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: O que mudou nas regras do seguro rural em 2025 e 2026?
R: A Resolução CNSP 485 de 2025 passou a exigir conformidade socioambiental como condição de elegibilidade para o seguro rural. O produtor precisa ter CAR ativo, sem desmatamento irregular e sem sobreposição com áreas protegidas como terras indígenas ou comunidades quilombolas.
P: Como saber se minha propriedade está apta para o seguro rural?
R: O produtor pode consultar a situação do CAR no SICAR e verificar se há embargos ambientais vinculados ao seu CPF ou CNPJ nos sistemas dos órgãos ambientais competentes. Empresas como a Serasa também oferecem ferramentas de análise socioambiental utilizadas pela cadeia agroindustrial.
P: O que fazer se a propriedade tiver alguma irregularidade ambiental?
R: Depende do tipo de apontamento. Irregularidades de desmatamento podem ser resolvidas com um Termo de Ajuste de Conduta junto ao órgão ambiental. CAR pendente de validação não é problema do produtor. Sobreposições com áreas protegidas exigem análise mais detalhada com os órgãos competentes.
P: Por que o seguro rural é importante para a safra 2026-2027?
R: Com a confirmação do El Niño e previsão de chuvas intensas no Sul do Brasil entre setembro e novembro, o risco de perdas climáticas está acima da média. O seguro rural protege o produtor contra essas perdas, garantindo indenização que permite cobrir custos e manter o fluxo de caixa para a próxima safra.
P: Produtores de outros estados também podem estar aptos ao seguro rural?
R: O estudo foi feito com o Paraná, mas o resultado positivo de 99% de conformidade indica que produtores de outros estados com perfil semelhante de regularidade tendem a estar aptos. A recomendação é verificar individualmente a situação do CAR e das conformidades socioambientais de cada propriedade.
Fonte:
Notícias Agrícolas — Bom Dia Agronegócio: Seguro Rural e Conformidade Socioambiental no Paraná com Jeiza Menezes (Serasa Experian) —




