O maior problema de quem produz cana-de-açúcar em grande escala não é a falta de tecnologia. É tomar decisões de plantio, escolha de variedade e colheita sem saber exatamente com que tipo de solo está lidando em cada talhão. A Tereos decidiu resolver esse problema na raiz: mapeou todos os 162 mil hectares de suas áreas próprias com nível de detalhe que poucos projetos agrícolas já alcançaram no Brasil.
O resultado é um banco de dados que a empresa vai incorporar à operação dos canaviais nos próximos ciclos, transformando informação de solo em decisão agronômica mais precisa e mais rentável.
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O Que Foi Feito e a Escala do Projeto
O levantamento foi realizado em parceria com a consultoria Athenas e envolveu:
- 7.750 pontos de tradagem distribuídos pelas áreas próprias da Tereos
- 561 trincheiras para análise detalhada das camadas do solo
- Caracterização física e química de cada ponto analisado
- Identificação de 501 tipos de solo distintos nas fazendas
Esses 501 tipos foram posteriormente agrupados em 15 classes de manejo, que funcionam como categorias práticas para orientar as decisões de campo em cada área produtiva.
A escala do projeto é significativa: 162 mil hectares mapeados com esse nível de detalhe representam uma das maiores iniciativas de mapeamento de solo aplicado à cana-de-açúcar já realizadas por uma empresa privada no país.
Por Que o Tipo de Solo Define o Resultado no Canavial
Nem todo solo se comporta igual. Dois talhões a poucos quilômetros um do outro podem ter capacidade hídrica, estrutura e fertilidade completamente diferentes, e isso muda tudo: a variedade que melhor se desenvolve, a janela ideal de colheita, o risco de compactação com máquinas pesadas e a resposta à adubação.
Quando essas decisões são tomadas de forma uniforme, sem considerar as características específicas do solo em cada área, o resultado é desperdício de insumo onde não é necessário e falta de suporte onde o solo precisaria de mais atenção.
O projeto da Tereos atacou exatamente esse ponto. Com as 15 classes de manejo definidas, a empresa consegue agora orientar cada unidade agrícola sobre:
- Como preparar o solo antes do plantio conforme o perfil do terreno
- Qual variedade de cana tem melhor desempenho em cada classe
- Quando é o momento ideal de colheita em cada ambiente produtivo
- Como operar as máquinas para reduzir o risco de compactação
- Onde concentrar os investimentos em fertilidade com maior retorno esperado
O Que Muda na Operação na Prática
Segundo José Olavo Vendramini, superintendente de Excelência Agronômica e Negócios Agrícolas da Tereos, ao compreender melhor o comportamento dos diferentes tipos de solo, a empresa consegue planejar cada etapa da produção com maior precisão, desde o preparo até a colheita, reduzindo desperdícios, minimizando riscos operacionais e explorando de forma mais eficiente o potencial produtivo de cada área.
Na prática, os principais ganhos esperados com a implementação do modelo são:
| Área de Ganho | Impacto Esperado |
|---|---|
| Produtividade por hectare | Melhor alinhamento entre variedade, solo e colheita |
| Uso de insumos | Redução do desperdício com adubação e corretivos |
| Eficiência das máquinas | Menor risco de compactação e uso mais adequado por tipo de solo |
| Conservação do solo | Práticas diferenciadas reduzem erosão e degradação |
| Planejamento varietal | Escolha de variedade baseada no perfil real do solo |
Agricultura Regenerativa Como Estratégia de Longo Prazo
O projeto de mapeamento faz parte de um conjunto de iniciativas da Tereos voltadas à agricultura regenerativa, modelo que busca combinar aumento de produtividade com conservação dos recursos naturais.
Essa abordagem parte de uma premissa simples: solo saudável produz mais por mais tempo. Por isso, quanto mais preciso o manejo em relação às características naturais de cada área, menor o desgaste do solo ao longo dos ciclos e maior a sustentabilidade da operação no longo prazo.
Para o setor sucroenergético, que opera em ciclos de reforma a cada cinco a sete anos, tomar decisões baseadas no perfil real do solo pode significar mais ratoons produtivos, menor necessidade de renovação antecipada e melhor aproveitamento do investimento feito em cada área.
O Que Vem Agora: Da Análise Para a Operação
Com o mapeamento concluído, a Tereos entra na etapa de integração do banco de dados à rotina operacional das unidades agrícolas. O objetivo é transformar esse acervo técnico em uma ferramenta permanente de apoio às decisões de campo, atualizada e consultada em cada novo ciclo de plantio e colheita.
O projeto da Tereos é relevante não apenas para o setor sucroenergético. Ele mostra um caminho que qualquer produtor de cana pode aplicar em escala menor: entender o solo antes de investir no talhão. Quanto mais preciso o diagnóstico do que está sob os pés, mais eficientes ficam todas as decisões que vêm depois.
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FAQ – Perguntas Frequentes
P: O que foi o projeto de mapeamento de solo da Tereos?
R: A Tereos mapeou 162 mil hectares de áreas próprias com 7.750 pontos de tradagem e 561 trincheiras, identificando 501 tipos de solo distintos nos seus canaviais. Esses tipos foram agrupados em 15 classes de manejo para orientar decisões de preparo, plantio, escolha de variedades e colheita em cada ambiente produtivo.
P: Como o mapeamento de solo melhora a produtividade da cana-de-açúcar?
R: Ao conhecer as características físicas e químicas de cada área, o produtor consegue escolher a variedade mais adequada para aquele solo, definir o momento ideal de colheita, calibrar a adubação com mais precisão e reduzir o risco de compactação pelo uso de máquinas. Isso evita desperdício de insumos e aumenta o retorno por hectare.
P: O que é agricultura regenerativa na cana-de-açúcar?
R: É uma abordagem de produção que busca aumentar a produtividade sem degradar os recursos naturais. No caso da cana, isso significa manejar o solo de forma diferenciada por tipo de área, reduzir erosão e compactação, conservar a fertilidade natural e aumentar a longevidade dos canaviais, diminuindo a necessidade de reformas antecipadas.
P: O modelo da Tereos pode ser aplicado por outros produtores de cana?
R: Os princípios são aplicáveis em qualquer escala. Realizar análises de solo detalhadas antes de definir variedades, adubação e calendário de colheita é uma prática que qualquer produtor de cana pode adotar. A diferença está na escala e no nível de detalhe: projetos menores podem usar menos pontos de amostragem, mas o resultado de conhecer o perfil real do solo é igualmente valioso.




