Mercado de frango tem oferta alta no Brasil, mas exportação segura o resultado

Mercado de frango tem oferta alta, mas exporta

O mercado de frango brasileiro vive um momento de duas velocidades em 2026. Dentro do país, a produção elevada trava a recuperação do preço e aperta a margem de quem cria a ave. Fora, a exportação segue forte, o preço internacional está firme e o frango mantém vantagem clara sobre a carne bovina.

É essa a leitura do Agro Mensal de setembro, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta espaço para forte expansão dos embarques ao longo do ano, mesmo com o desafio interno.

Por que o preço do frango não decola no Brasil

Em agosto, o preço ficou praticamente parado no atacado. A ave inteira congelada em São Paulo fechou o mês em R$ 7,19 por quilo, queda de 0,3% frente a julho e de 1,2% na comparação com agosto de 2025.

O culpado tem nome simples: sobra de produto. A produção de frango cresceu 6,1% no primeiro semestre frente ao mesmo período do ano passado, e o peso médio das carcaças também aumentou, o que amplia ainda mais a quantidade disponível para venda.

Os dados preliminares de julho reforçam esse cenário. O abate subiu 4,4% na comparação anual, e a disponibilidade interna de carne ficou cerca de 9% acima do mesmo período de 2025. Para o preço subir de forma consistente, a demanda precisaria crescer no mesmo ritmo da oferta, e isso ainda não está acontecendo.

Exportação é o que segura o resultado do setor

Enquanto o mercado interno trava, o externo compensa. Em agosto, o Brasil exportou 480 mil toneladas de carne de frango. O volume até recuou 5,1% frente a julho, mas cresceu 25,6% na comparação com agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, o embarque total avançou 17,1%, mostrando recuperação clara depois do golpe sofrido em 2025 com as restrições de vários países por causa de casos de gripe aviária no Brasil.

O preço de exportação também ajuda. Em agosto, ficou 12,2% acima do praticado no mesmo mês de 2025. Com isso, o spread da exportação, a diferença entre custo e receita da venda externa, se manteve perto de 46%, cerca de três pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.

Indicador Agosto/26 Variação anual
Preço da ave inteira congelada (SP) R$ 7,19/kg -1,2%
Produção de frango (1º semestre) Crescimento de 6,1% vs. 2025
Volume exportado 480 mil toneladas +25,6%
Preço médio de exportação +12,2% vs. ago/2025
Spread de exportação ~46% +3 p.p. sobre a média de 5 anos
Spread doméstico (atacado x custo) 32% -4 p.p. sobre ago/2025 (36%)

A margem que aperta apesar do custo controlado

O número que resume o aperto do produtor é o spread doméstico, a diferença entre o preço da ave abatida no atacado e o custo de produção. Ele caiu para 32% em agosto, contra 36% um ano antes.

Na prática, o custo de produção segue relativamente favorável, mas o preço recebido no mercado interno não acompanha o ritmo da produção. É esse descompasso que explica por que a rentabilidade do produtor caiu mesmo em um cenário de custo controlado.

Setembro já mostra sinal de virada

A primeira semana de setembro trouxe uma notícia mais animadora: o preço avançou cerca de 4%, movimento parecido com o que aconteceu no mesmo período de 2025. A proximidade do fim de ano, época de maior consumo, ajuda a sustentar essa reação.

A vantagem de preço do frango frente à carne bovina também joga a favor. Com o boi em patamar elevado, o consumidor tende a substituir proteína, o que pode aquecer a demanda pelo frango justamente na reta final do ano. Mesmo assim, uma alta mais forte e duradoura só deve acontecer se a oferta doméstica se ajustar ou se a exportação crescer ainda mais.

O que pode travar ou destravar a exportação

O Itaú BBA mantém expectativa positiva para os embarques em 2026, mesmo com um ponto de atenção no radar: possível redução do volume enviado para a União Europeia nos próximos meses. A avaliação da consultoria é de que o setor tem capacidade de redirecionar essa carga para outros destinos, preservando a projeção de forte crescimento na exportação.

Esse redirecionamento é estratégico porque cada tonelada exportada a mais é uma tonelada a menos pressionando o mercado interno.

Milho e farelo de soja seguram o custo, El Niño é o risco no radar

Do lado do custo, o cenário atual ajuda o produtor. A boa disponibilidade de milho e farelo de soja no mercado interno mantém a alimentação da ave em patamar relativamente confortável, o que preserva margem, principalmente nas operações voltadas para exportação.

O alerta fica para frente. O Itaú BBA aponta que o fortalecimento do El Niño aumenta a preocupação com a safra de verão e a safrinha de 2027. Se a produção de milho e soja for afetada, o custo de alimentação da ave sobe, e a margem que hoje está sob pressão só pelo lado da oferta pode sofrer um segundo golpe pelo lado do custo.

O que acompanhar até o fim do ano

Para quem trabalha com avicultura, alguns pontos vão definir o resultado dos próximos meses:

  • Ritmo de crescimento da oferta doméstica
  • Capacidade de a exportação absorver o excedente de produção
  • Comportamento do preço internacional da carne de frango
  • Reação do consumo interno na temporada de fim de ano
  • Evolução do preço da carne bovina como fator de substituição
  • Disponibilidade e preço de milho e farelo de soja
  • Avanço do El Niño sobre a safra de verão 2026/27

O mercado de frango termina 2026 dividido entre um lado interno pressionado pela oferta e um lado externo que segue puxando o resultado. Quem acompanha de perto esses indicadores sai na frente para ajustar produção, venda e estratégia de exportação antes que o cenário mude.

Continue acompanhando o Portal da Agroindústria para saber como a avicultura brasileira se comporta nos próximos meses e o que isso significa para quem produz e vende frango.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Por que o preço do frango não sobe mesmo com exportação recorde?

R: A produção doméstica cresceu 6,1% no primeiro semestre e ampliou muito a oferta disponível, o que trava a recuperação do preço mesmo com a exportação em alta.

P: Qual foi o volume de exportação de frango do Brasil em agosto de 2026?

R: O Brasil exportou 480 mil toneladas, alta de 25,6% frente a agosto de 2025, embora com recuo de 5,1% em relação a julho.

P: A margem da avicultura brasileira está melhorando ou piorando?

R: O spread doméstico, diferença entre preço no atacado e custo de produção, caiu de 36% para 32% em um ano, mostrando compressão da margem no mercado interno.

P: O El Niño pode afetar o custo de produção do frango?

R: Sim. O fortalecimento do fenômeno aumenta o risco para a safra de verão e a safrinha de 2027, o que pode elevar o preço do milho e do farelo de soja usados na alimentação da ave.

Fonte:

Portal do Agronegócio

 

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