Se você vende feijão, a semana terminou com dois mercados andando em ritmos diferentes. O preço do feijão carioca reagiu e fechou negócios a R$ 345 por saca para o padrão 9,5, na modalidade CIF São Paulo, que já inclui o frete. O feijão preto, por outro lado, continua com negociações restritas e preços que mudam bastante de uma região para outra.
Segundo análise da Safras & Mercado divulgada na sexta-feira (9), a reação do carioca se concentra nos lotes de melhor qualidade. A menor oferta visível ajudou a sustentar os valores, mas isso ainda não configura uma tendência de alta consolidada.
Como o carioca saiu da correção
No início da semana, a falta de demanda afastou as cotações da referência de R$ 360 por saca CIF São Paulo. Os padrões intermediários passaram a trabalhar entre R$ 300 e R$ 315, e o comercial chegou a indicações de R$ 285, sem resposta relevante dos compradores.
Com contrapropostas mais baixas, os vendedores reduziram a oferta visível. Segundo o analista Evandro Oliveira, isso foi retenção seletiva de lotes, e não uma queda equivalente na disponibilidade física nas propriedades. As compras voltaram aos poucos, primeiro como consultas e depois como operações efetivas, o que recolocou as diferenças de preço por qualidade.
Na prática, quem tinha produto de boa qualidade e esperou conseguiu um preço melhor do que quem teve pressa.
Veja também:
Preços por padrão em São Paulo
A tabela resume os valores confirmados ou indicados no mercado CIF São Paulo.
| Padrão do carioca | Faixa de preço por saca | Situação |
|---|---|---|
| Nota 9,5 | R$ 345 (corretores testam R$ 350) | Negócios confirmados |
| Nota 9 | R$ 335 a R$ 340 | Negócios confirmados |
| Nota 8,5 | R$ 330 (indicações de R$ 335) | Negócios confirmados |
| Nota 8 | R$ 315 a R$ 320 | Sustentado pela oferta restrita |
| Nota 7,5 | Abaixo de R$ 300 | Pressionado, sem validar R$ 300 |
Cor, umidade, quebra e rendimento seguem decisivos na negociação. Lotes secos e ressecados perderam competitividade, enquanto produtos com melhor desempenho no processamento atraíram mais interesse.
Preços na origem também reagem
Nas negociações FOB, na origem, o carioca terminou o período com sinais de recuperação:
- Goiás: R$ 302 a R$ 308 por saca, depois de sustentar o patamar de R$ 300
- Minas Gerais: R$ 298 a R$ 308
- Mato Grosso: R$ 290 a R$ 295
- Interior de São Paulo: R$ 330 a R$ 335, após leve correção
Para Oliveira, o movimento é uma normalização das relações comerciais. A confirmação de preços mais altos depende de os negócios continuarem e de haver oferta de lotes com qualidade.
Feijão preto: pedida e proposta ainda não se encontram
No feijão preto, os compradores mantiveram postura defensiva. Os melhores padrões chegaram perto de R$ 290 por saca CIF São Paulo, e o comercial bom ficou entre R$ 260 e R$ 270. Na Zona Cerealista, os lotes de qualidade inferior trabalharam entre R$ 230 e R$ 250.
Na origem, Paraná e Santa Catarina começaram a semana próximos de R$ 255 a R$ 262 por saca FOB. Depois de uma acomodação perto de R$ 260, os dois mercados se separaram: o Paraná teve negócios pontuais de até R$ 265, e Santa Catarina voltou a valores abaixo de R$ 260.
Segundo o analista, disponibilidade local, qualidade, necessidade de caixa dos vendedores e presença real de compradores explicam essa formação desigual de preços.
Primeira safra 2026/27 no Paraná
O andamento da primeira safra é um dos pontos mais acompanhados pelo mercado de feijão preto. No Paraná, o plantio avançou de 39% para 52% da área estimada, com 91% das lavouras em boas condições e 9% em condição média. Em desenvolvimento, 25% estavam em germinação e 73% em fase vegetativa.
Os números projetados para a safra são estes:
| Indicador | Estimativa | Comparação com a safra anterior |
|---|---|---|
| Área plantada | 88,3 mil hectares | -14% |
| Produção | 177,7 mil toneladas | -8% |
| Produtividade | 2.013 kg por hectare | cerca de +6,9% |
A produção depende de a produtividade se confirmar. Oliveira aponta o El Niño como risco potencial para rendimento, qualidade e calendário agrícola, inclusive para a implantação da segunda safra.
O que o mercado vai observar nos próximos dias
Para o carioca, a atenção está em saber se os negócios entre R$ 345 e R$ 350 por saca viram rotina e se os vendedores ampliam a oferta de qualidade. A semana seguinte terá menos dias de negociação, já que a Zona Cerealista fecha na segunda-feira. Com as reposições concentradas em menos dias, o ritmo das compras pode mudar.
O feijão preto continua dependendo da demanda seletiva e da evolução da nova safra.
O que fazer na hora de vender o seu feijão
Se você tem feijão para comercializar, estas atitudes ajudam a decidir com mais segurança:
- Separe os lotes por qualidade antes de negociar, já que a diferença de preço entre as notas é grande.
- Confira cor, umidade e rendimento do lote, que pesam direto no valor oferecido.
- Compare o preço FOB da sua região com a referência CIF São Paulo antes de aceitar uma proposta.
- No carioca, acompanhe se os R$ 345 a R$ 350 se repetem antes de segurar produto esperando alta.
- No preto, avalie a necessidade de caixa e a distância entre pedida e proposta antes de fechar.
- Fique de olho no El Niño e no andamento da safra do Paraná, que podem mexer na oferta futura.
Quer continuar acompanhando o mercado de feijão e as tendências de preço? Siga o Portal da Agroindústria para receber as próximas análises sobre cotações e safra.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quanto está o preço do feijão carioca em São Paulo?
R: O carioca nota 9,5 confirmou negócios a R$ 345 por saca CIF São Paulo, com corretores testando R$ 350. O nota 9 operou entre R$ 335 e R$ 340, segundo a Safras & Mercado.
P: Por que o preço do feijão carioca reagiu?
R: Os vendedores reduziram a oferta visível depois das contrapropostas baixas, o que representou retenção seletiva de lotes. Isso sustentou os preços dos melhores padrões, sem caracterizar ainda uma alta consolidada.
P: Qual o preço do feijão preto hoje?
R: Os melhores padrões chegaram perto de R$ 290 por saca CIF São Paulo, e o comercial bom ficou entre R$ 260 e R$ 270. Na origem, Paraná e Santa Catarina oscilaram em torno de R$ 255 a R$ 265 por saca.
P: Como está a primeira safra 2026/27 de feijão preto no Paraná?
R: O plantio chegou a 52% da área estimada, com 91% das lavouras em boas condições. A área projetada é de 88,3 mil hectares, queda de 14%, e a produção estimada é de 177,7 mil toneladas.
P: O que diferencia os preços entre os padrões de feijão carioca?
R: Cor, umidade, quebra e rendimento no processamento. Lotes secos e ressecados perdem competitividade, enquanto os de melhor desempenho atraem mais interesse e preços mais altos.
Fonte de Referência:
Portal do Agronegócio | Preço do feijão carioca reage e chega a R$ 345 por saca; preto mantém negócios restritos




