O preço do feijão fechou a semana sustentado, mas sem volume de negócio suficiente para confirmar uma nova rodada ampla de alta. No feijão carioca, operações pontuais com produto extra validaram o patamar de R$ 360 por saca. Já o feijão preto avançou e passou a testar referência próxima de R$ 300 em algumas regiões.
Segundo Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, a menor disponibilidade de produto, a retenção dos vendedores e o custo crescente de reposição sustentam a cotação. Do lado comprador, porém, a compra segue concentrada apenas no necessário para o momento.
Feijão carioca: alta perde força, mas preço se mantém firme
O feijão carioca extra chegou a R$ 360 por saca em operação pontual na Bolsa. Apesar de representar referência importante, o valor ainda não aparece em volume suficiente para virar padrão de mercado.
Nas negociações FOB, o interior de São Paulo fechou a semana entre R$ 350 e R$ 355 por saca. Minas Gerais variou entre R$ 318 e R$ 322, enquanto Goiás registrou valores entre R$ 306 e R$ 312.
A valorização perdeu velocidade porque parte dos compradores já recebeu carga negociada anteriormente, reduzindo a necessidade de nova aquisição no momento. Os empacotadores seguem comprando aos poucos, de olho na margem e no rendimento industrial de cada lote.
Qualidade pesa mais que preço na hora de fechar negócio
A seletividade do comprador aumentou nesta semana. O feijão comercial nota 7,5, oferecido perto de R$ 310 por saca CIF São Paulo, perdeu espaço diante dos padrões superiores disponíveis no mercado.
Já os lotes nota 8 e 8,5, negociados entre R$ 325 e R$ 340, despertaram mais interesse. Segundo Oliveira, qualidade, percentual de quebra e aproveitamento no processamento passaram a pesar mais na decisão de compra do que o preço nominal da mercadoria.
Na origem, o produtor mantém postura seletiva de retenção, o que ajuda a sustentar o mercado, ainda que pedidas mais altas nem sempre sejam aceitas pelo comprador.
| Praça / Região | Feijão carioca (R$/saca) | Feijão preto (R$/saca) |
|---|---|---|
| Interior de SP | 350 a 355 | 295 a quase 300 |
| Minas Gerais | 318 a 322 | — |
| Goiás | 306 a 312 | — |
| Paraná | — | Acima de 260, mirando 270 |
| Santa Catarina | — | Próximo de 270 |
| Feijão argentino (referência) | — | ~300 (sem confirmação) |
Feijão preto: alta mais intensa da semana
O feijão preto teve o movimento de alta mais forte entre os dois tipos, mesmo com volume reduzido de negócio. No Paraná, o produto extra Tipo 1 superou R$ 260 por saca e passou a mirar o patamar de R$ 270. Santa Catarina permaneceu perto dessa referência, com ajuste pequeno na cotação.
No interior de São Paulo, o preço avançou para faixa entre R$ 295 e quase R$ 300 por saca FOB, tornando essa marca o próximo teste do mercado. A sustentação veio da menor oferta, da resistência do produtor em negociar e do aumento gradual no custo de reposição.
O feijão argentino, que costumava funcionar como alternativa de menor custo, também perdeu competitividade. As ofertas ficaram perto de R$ 300 por saca, sem confirmação de negócio fechado, enquanto o mercado doméstico registrou operação com feijão comercial a R$ 275 por saca CIF São Paulo.
Safra menor no Paraná adiciona risco à oferta
A primeira safra de feijão 2026/27 traz incerteza extra ao mercado. No Paraná, a produção está projetada em 177,7 mil toneladas, queda de 8% frente ao ciclo anterior, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
A área cultivada deve recuar 14%, para 88,3 mil hectares, enquanto a produtividade média está estimada em 2.013 quilos por hectare. Esse rendimento pode ser revisado caso o El Niño provoque excesso de chuva ou outro impacto sobre a lavoura, um risco que já começa a entrar no preço do feijão preto como prêmio de incerteza.
O que outubro deve definir para o mercado
O próximo mês tende a ser decisivo. A reposição do varejo, a movimentação dos empacotadores, a disponibilidade do produtor e a condição climática da nova safra vão indicar se o feijão carioca sustenta os R$ 360 por saca e se o feijão preto consegue consolidar a referência de R$ 300.
Se você compra ou vende feijão, alguns pontos merecem atenção nas próximas semanas:
- Acompanhar o ritmo de reposição do varejo em outubro
- Monitorar a evolução do El Niño sobre a primeira safra paranaense
- Priorizar negociação por qualidade de grão, já que o padrão superior vem concentrando o interesse do comprador
- Ficar atento ao comportamento do feijão argentino como referência de custo alternativo
Enquanto a demanda não crescer de forma mais consistente nos principais centros consumidores, a tendência para o feijão carioca segue entre estabilidade e firmeza, com pouco espaço para alta expressiva. Para o feijão preto, o teste do patamar de R$ 300 deve definir se o movimento de alta ganha continuidade.
Continue acompanhando o Portal da Agroindústria para as próximas atualizações sobre o mercado de feijão e da safra 2026/27.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Qual é o preço atual do feijão carioca?
R: O feijão carioca extra validou R$ 360 por saca em operações pontuais, enquanto no interior de São Paulo o produto FOB ficou entre R$ 350 e R$ 355.
P: Por que o feijão preto está subindo mais que o carioca?
R: A menor oferta, a resistência dos produtores em negociar e o aumento no custo de reposição sustentaram uma alta mais intensa no feijão preto, que avançou para perto de R$ 300 no interior de São Paulo.
P: A safra menor no Paraná vai afetar o preço do feijão?
R: A produção projetada para 2026/27 caiu 8%, com redução de 14% na área cultivada. Esse cenário, somado ao risco do El Niño, já entra no preço como fator de incerteza.
P: O feijão argentino ainda é uma alternativa mais barata?
R: Não tanto quanto antes. As ofertas do produto argentino ficaram próximas de R$ 300 por saca, patamar semelhante às referências do mercado nacional, sem confirmação de negócio fechado.
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