Se você cria gado no Rio Grande do Sul, provavelmente já sentiu o efeito do carrapato bovino na produtividade do rebanho. O parasita, cientificamente chamado de Rhipicephalus microplus, provoca prejuízos estimados em R$ 300 milhões por ano na pecuária gaúcha, segundo levantamento da Emater/RS-Ascar.
O clima do estado favorece a presença de diferentes parasitas ao longo do ano inteiro, o que transforma o controle sanitário em uma rotina, não em uma ação pontual. E o carrapato bovino não causa só perda de peso e desconforto no animal. Ele também transmite os agentes da tristeza parasitária bovina, doença que está entre as principais causas de morte de bovinos no Rio Grande do Sul.
Veja também:
A resistência aos remédios está piorando o problema
Aqui está o dado que deveria preocupar todo pecuarista gaúcho: cerca de 70% das propriedades do estado já têm populações de carrapato bovino resistentes a várias classes de carrapaticidas ao mesmo tempo. É o que aponta o Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor, ligado à Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.
Na prática, isso significa que aplicar o mesmo produto de sempre, sem diagnóstico prévio, tende a funcionar cada vez menos. E o uso excessivo ou errado dos carrapaticidas só acelera essa resistência, criando um ciclo difícil de reverter.
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Prejuízo anual estimado no RS | R$ 300 milhões |
| Propriedades com carrapatos multirresistentes | cerca de 70% |
| Principal doença transmitida | tristeza parasitária bovina |
| Fonte da resistência | Centro Desidério Finamor / SEAPI-RS |
O prejuízo não vem só de fora do animal
Enquanto o carrapato bovino ataca por fora, os parasitas internos, como os vermes gastrointestinais, corroem o desempenho do rebanho por dentro. Eles afetam ganho de peso, conversão alimentar e reprodução, muitas vezes sem sintoma visível.
O detalhe é que essas perdas costumam ser silenciosas. Você não vê o animal doente de imediato, mas percebe o resultado na balança e no caixa da propriedade ao longo dos meses.
Não existe fórmula pronta para todas as fazendas
Segundo Elio Moro, gerente técnico da linha de antiparasitários da Zoetis Brasil, cada propriedade precisa de um plano próprio de controle. Clima, sistema de criação, categoria animal, época do ano e histórico de tratamentos do rebanho mudam completamente a estratégia ideal.
Isso é especialmente verdadeiro no Rio Grande do Sul, onde as diferenças climáticas e produtivas entre regiões alteram bastante o comportamento dos parasitas ao longo do ano.
O que fazer na prática para proteger o rebanho
Especialistas recomendam abandonar o tratamento pontual, feito só quando o problema já apareceu, e adotar um programa sanitário contínuo. Isso envolve:
- Monitoramento frequente da carga parasitária no rebanho
- Diagnósticos periódicos antes de trocar de produto
- Uso racional dos antiparasitários, evitando aplicações desnecessárias
- Combinação entre endectocidas, que agem contra parasitas internos e externos, e produtos específicos para carrapato, sempre com orientação técnica
Essa abordagem não só reduz as perdas atuais como também retarda o avanço da resistência, preservando a eficácia dos tratamentos por mais tempo.
O erro que agrava a multirresistência
Um ponto que merece atenção: quando um produto para de funcionar, trocar de princípio ativo sem critério não resolve o problema. Pelo contrário, essa troca indiscriminada pode acelerar ainda mais a multirresistência do carrapato bovino na sua propriedade.
O caminho mais seguro é avaliar os resultados periodicamente e ajustar a estratégia com base em diagnóstico, não em tentativa e erro.
Se o carrapato bovino já é um problema recorrente no seu rebanho, o próximo passo é buscar orientação técnica veterinária para montar um programa de controle parasitário ajustado à realidade da sua propriedade antes da próxima temporada de maior incidência.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quanto o carrapato bovino custa aos pecuaristas do Rio Grande do Sul?
R: As perdas somam aproximadamente R$ 300 milhões por ano, segundo estimativas da Emater/RS-Ascar.
P: O carrapato bovino transmite alguma doença grave?
R: Sim. Ele é o principal transmissor dos agentes causadores da tristeza parasitária bovina, uma das maiores causas de mortalidade de bovinos no estado.
P: Por que os carrapaticidas estão perdendo eficácia?
R: Cerca de 70% das propriedades gaúchas já têm populações de carrapato resistentes a múltiplas classes de carrapaticidas, o que reduz a eficácia dos tratamentos convencionais.
P: Como reduzir o impacto do carrapato bovino no rebanho?
R: A recomendação é adotar um programa sanitário contínuo, com monitoramento frequente, diagnóstico periódico e uso racional dos antiparasitários, sempre com orientação técnica.




