Seca na florada do café: o que pode acontecer com a safra 2026/27

Florada do Café em Risco: El Niño e Seca em Minas

Se você acompanha o mercado do café ou produz no sul de Minas, outubro chegou com um alerta que merece atenção. A colheita da safra atual está praticamente encerrada, mas o foco já mudou para a florada do café, justamente no momento em que a falta de chuva em Minas Gerais ameaça o volume da próxima safra. Entender o que está em jogo agora ajuda você a se antecipar, seja no campo ou na hora de negociar.

Por que a florada é o momento mais sensível do ciclo

Na prática, a fase de floração é quando a planta de café define boa parte do potencial produtivo do ano seguinte. Previsões de tempo seco para Minas Gerais nessa fase geram apreensão justamente porque a falta de chuva compromete a formação das flores e, consequentemente, a quantidade de frutos que vão se desenvolver.

O detalhe que faz diferença aqui é o momento. Não é qualquer seca que preocupa o mercado, é a seca que coincide com a florada, período em que a planta mais precisa de umidade para fixar a produção futura.

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El Niño forte aumenta a instabilidade climática

A previsão meteorológica aponta um El Niño de forte intensidade, que deve se fortalecer ainda mais ao longo de outubro. Esse cenário tende a desenhar um padrão de chuvas irregulares, o que torna o comportamento do clima nas próximas semanas decisivo para a safra 2026/27.

Apesar disso, a expectativa geral é de volumes de chuva acima da média para a maior parte do Sudeste e Centro-Oeste em outubro, com os maiores excedentes concentrados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e no sul de Minas. Mesmo assim, a semana que se inicia agora tem previsão de chuvas limitadas justamente para as regiões produtoras de arábica em Minas Gerais, o que mantém o setor em alerta.

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Como o mercado reagiu à queda de setembro

Pensando na rotina de quem acompanha os preços, setembro fechou com queda acumulada de mais de 6% nas cotações internacionais, que encontraram forte resistência na faixa dos 300 centavos de dólar por libra-peso. O contrato de café para dezembro abriu outubro cotado a 288,25 pontos, recuando 245 pontos logo na abertura do mês.

Do ponto de vista técnico, o mercado tem oscilado entre a faixa de 270 e 300 centavos, com um suporte estratégico identificado entre 287 e 288 pontos. Esse patamar funciona como divisor de águas: se for mantido, abre espaço para uma recuperação em outubro; se for rompido para baixo, o risco é de continuidade da correção, com possibilidade de testar os 275 e até os 260 pontos.

Safra recorde, mas pressão segue firme

Um ponto que chama atenção é o contraste entre os números da safra atual e a pressão nos gráficos. A produção brasileira estimada pela CONAB é de 67,6 milhões de sacas, alta de 19,6% em relação à safra anterior. Mesmo com esse volume robusto, o mercado segue sob pressão de vendidos e sofre também a influência do dólar, que fechou o primeiro dia de outubro em alta de quase 0,60% no índice internacional, enquanto o dólar comercial brasileiro fechou a R$ 5,22, também em alta de 1%.

O cenário internacional também pesa

O robusta não fica de fora da equação. O Vietnã, maior produtor mundial dessa variedade, deu início oficial à nova safra em outubro, embora os volumes relevantes só devam chegar ao mercado a partir de novembro. Na Indonésia, outro grande produtor de conilon, as exportações de robusta também recuaram em agosto, segundo dados comerciais.

Preços físicos praticados no início de outubro

Se você vende café diretamente no mercado físico, esses foram os valores de referência registrados:

Região / Tipo Valor por saca
Cerrado, bebida boa, 15 de cata R$ 1.660
Cerrado, bebida fina R$ 1.730
Cerrado, cereja R$ 1.780
Sul de Minas, 20 de cata R$ 1.610
Sul de Minas, bebida boa, 15 de cata R$ 1.650
Sul de Minas, cereja R$ 1.760
Matas de Minas, bebida dura, 25 de cata R$ 1.500
Matas de Minas, bebida dura, 20 de cata R$ 1.600
Conilon Vitória (ES), tipo 7 R$ 980
Conilon Vitória (ES), tipo 13 próximo de R$ 1.000

O que fazer na prática diante desse cenário

  • Acompanhe de perto a previsão de chuva para sua região em Minas Gerais, especialmente nas próximas semanas de florada
  • Se você vende café físico, compare os preços da sua região com a tabela acima antes de negociar
  • No mercado futuro, observe o comportamento do contrato em torno da faixa de 287 a 288 pontos, que tem funcionado como referência técnica de suporte
  • Considere que a volatilidade deve continuar alta em outubro, combinando efeito do dólar, El Niño e o avanço da nova safra do robusta no Vietnã
  • Mantenha-se informado sobre os boletins semanais de cooperativas da sua região, que costumam antecipar tendências de colheita e preço

Se você já passou por uma safra prejudicada por seca na florada, sabe que o resultado só aparece meses depois, quando a colheita chega menor do que o esperado. Ficar atento ao clima agora é o que permite ajustar expectativas e decisões com mais segurança para a safra 2026/27.

Para acompanhar outras análises sobre o mercado do café e o cenário climático que afeta sua produção, continue navegando pelo Portal da Agroindústria.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Por que a seca na florada é tão preocupante para o café?

R: Porque é na florada que a planta define boa parte do potencial produtivo do ano seguinte, e a falta de chuva nesse momento compromete a fixação das flores e, consequentemente, a quantidade de frutos.

P: Qual é o suporte técnico que o mercado de café está observando em outubro?

R: A faixa entre 287 e 288 pontos é considerada o suporte estratégico. Se for mantida, abre espaço para valorização; se for rompida, o mercado pode testar níveis mais baixos.

P: Qual foi o tamanho da safra brasileira de café estimada pela CONAB?

R: A estimativa é de 67,6 milhões de sacas, um crescimento de 19,6% em relação à safra anterior.

P: Como o El Niño pode afetar a safra 2026/27 do café?

R: O El Niño de forte intensidade tende a gerar chuvas irregulares, o que torna o comportamento climático nas próximas semanas decisivo para o volume da próxima safra.

P: O que está pressionando o preço do café no mercado internacional?

R: A valorização do dólar, a pressão de vendidos no mercado futuro e o início da nova safra do robusta no Vietnã estão entre os principais fatores de pressão.

Fonte de Referência:

Paracatu Rural

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