Se você acompanha o mercado de grãos, outubro trouxe três cenários bem diferentes entre si. O preço do arroz segue em acomodação, o trigo mantém fundamentos firmes puxados pela guerra no Mar Negro, e o feijão já mostra sinais claros de valorização por causa do clima adverso no sul do país. Entender o que está por trás de cada um desses movimentos ajuda você a planejar melhor a comercialização da sua safra.
Trigo: fundamentos seguem positivos apesar do atraso americano
Na prática, o plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos segue atrasado em relação à média histórica, embora o ritmo tenha melhorado. A última leitura apontava 63% da área plantada, contra uma média de 69% para o período, mas já representa avanço em relação aos 51% da semana anterior.
O detalhe que faz diferença no cenário internacional continua sendo o conflito no Mar Negro. A guerra entre Rússia e Ucrânia, hoje travada principalmente com drones, segue dificultando o embarque de navios na região, com terminais sendo bombardeados dos dois lados. Como a colheita do trigo nessas regiões já está encerrada, o resultado confirma uma safra menor do que o consumo global, o que sustenta os fundamentos do mercado.
Trigo nacional também sente o efeito da chuva
No Brasil, o trigo gaúcho está cotado em torno de R$ 1.470 no lote, enquanto o Paraná opera entre R$ 1.560 e R$ 1.570. O detalhe que faz diferença aqui é que as chuvas das últimas semanas prejudicaram a lavoura, reduzindo a safra que está saindo do campo. Como o trigo importado chega mais caro que o nacional, os moinhos devem intensificar as compras internas, o que reforça o viés de alta para o produto brasileiro nas próximas semanas, mesmo com a colheita gaúcha ainda no início.
Arroz: exportação retoma fôlego, mas plantio enfrenta atraso
Pensando na rotina de quem produz arroz no Rio Grande do Sul, as compras para exportação foram retomadas com negociações em torno de R$ 90 por saca, após um período de estagnação causado pela oscilação do câmbio. Segundo o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, a entrada de três tradings compradoras nos últimos dias ajudou a segurar o mercado.
Veja também:
Preço do arroz em casca recua no Rio Grande do Sul com menos demanda e mais oferta
Plantio desigual entre regiões
O avanço do plantio varia bastante conforme a região. A fronteira oeste e a zona sul, principalmente em Santa Vitória do Palmar, estão com o plantio bem adiantado. Já regiões como litoral norte, a área de Camaquã e Tapes, além da própria zona sul em Rio Grande e Pelotas, seguem com atraso significativo, mesmo que a média geral do estado mostre área maior plantada em relação ao ano passado, puxada pela expansão na fronteira oeste.
Os produtores também enfrentam dificuldade para acessar crédito voltado à próxima safra, com negociações junto aos bancos avançando lentamente. A recomendação para quem precisa desse apoio é procurar as entidades representativas do setor.
Preço do arroz recua em outubro, mas estoques devem zerar
O preço do arroz caiu em outubro na comparação com setembro. O arroz na fronteira oeste está cotado em R$ 78 a R$ 79, o comercial em R$ 81, e o arroz para parboilizado recuou de R$ 78/79 para R$ 76. Mesmo com essa queda, o produtor segue priorizando o avanço do plantio: a fronteira oeste já está com 75% da área plantada, e o Rio Grande do Sul como um todo já passa de 50%, com produtores correndo para fechar o plantio antes da virada para novembro, diante da previsão de novas chuvas.
O detalhe que faz diferença para quem acompanha o mercado é que os grandes estoques de arroz existentes estão sendo consumidos, e a expectativa é de que o mercado fique com pouco produto disponível até a chegada da nova safra, o que pode sustentar os preços nos próximos meses.
Tocantins ganha espaço na produção
Enquanto a área gaúcha tende a reduzir, o Tocantins segue em expansão. A evolução recente das cotações tem animado os produtores da região, com possibilidade de crescimento de até 10.000 hectares, somando cerca de 105.000 hectares plantados.
Feijão: clima adverso acende sinal de alerta para os preços
Se você produz ou comercializa feijão, vale ficar atento ao que está acontecendo no sudoeste de São Paulo e na região de Paranapanema, onde a colheita está em andamento, mas a safra está bastante comprometida pelo clima.
O feijão carioca nobre, de classificação linha 9 ou superior, está cotado entre R$ 305 e R$ 315 entre Goiás e Minas Gerais, e entre R$ 320 e R$ 350 no mercado paulista, com alta de cerca de R$ 10 nos últimos dias. O feijão carioca comercial também mostra fôlego positivo, variando de R$ 280 a R$ 295 entre Goiás e Minas, e de R$ 305 a R$ 320 em São Paulo.
Pensando na rotina do seu negócio, outubro e novembro ainda são meses de boa demanda, com consumo aquecido pelos próximos 40 dias, antes do arrefecimento típico de dezembro.
Geada prejudica o feijão preto no sul
O feijão preto também começa a reagir. Nos últimos dias, o clima desfavorável, incluindo geadas registradas em Prudentópolis, Irati e São Mateus do Sul, prejudicou lavouras em plena fase de desenvolvimento no sul e sudoeste do Paraná. O produto está cotado entre R$ 265 e R$ 280 a saca, com vendedores buscando os R$ 300.
O detalhe que faz diferença aqui é a expectativa de um vazio de oferta no início de 2027, com pouco feijão disponível no mercado, o que sustenta o fôlego de alta para os próximos meses.
O que fazer na prática diante desse cenário
- Se você produz trigo, avalie negociar parte da safra enquanto os fundamentos internacionais seguem firmes, já que a situação no Mar Negro não deve se resolver no curto prazo
- No arroz, se o plantio na sua região ainda está atrasado, priorize concluir a semeadura antes da chegada de novas chuvas previstas para o fim do mês
- Produtores de arroz com dificuldade de crédito devem procurar as entidades representativas do setor para orientação sobre a próxima safra
- Se você tem feijão em estoque, considere o cenário de vazio de oferta esperado para o início de 2027 ao decidir o momento ideal de venda
- Monitore o impacto das geadas e do clima irregular no sul do Paraná sobre as lavouras de feijão preto ainda em desenvolvimento
Se você já passou por um momento de oscilação cambial que travou negociações de exportação, como aconteceu recentemente no arroz, sabe como esse tipo de movimento pode mudar o ritmo do mercado de uma semana para outra. Acompanhar de perto esses três mercados ajuda a identificar o momento certo de vender ou segurar a produção.
Se esse conteúdo te ajudou a entender melhor o cenário de trigo, arroz e feijão para os próximos meses, continue acompanhando o Portal da Agroindústria para mais análises que ajudam na tomada de decisão na sua propriedade.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que o preço do trigo segue em alta mesmo com atraso no plantio americano?
R: Porque a guerra no Mar Negro continua dificultando o embarque de navios na região, e a colheita já encerrada nessas áreas confirma uma safra menor do que o consumo global.
P: Por que o preço do arroz caiu em outubro?
R: A oscilação cambial reduziu o ritmo das negociações de exportação temporariamente, mas o mercado retomou fôlego com a entrada de tradings compradoras pagando cerca de R$ 90 por saca.
P: O plantio de arroz no Rio Grande do Sul está atrasado?
R: Varia por região. A fronteira oeste e parte da zona sul estão adiantadas, mas áreas como litoral norte, Camaquã, Tapes e Pelotas seguem com atraso significativo.
P: Por que o preço do feijão está subindo?
R: O clima adverso, incluindo geadas no sul e sudoeste do Paraná, comprometeu lavouras de feijão preto em desenvolvimento, e a expectativa de vazio de oferta no início de 2027 sustenta a alta.
P: O Tocantins está aumentando a produção de arroz?
R: Sim, a região vive expansão de área, com possibilidade de crescimento de até 10.000 hectares, somando cerca de 105.000 hectares plantados, impulsionada pela evolução das cotações.
Fonte de Referência:
Mercado Agrícola (Paracatu Rural) — Análise de trigo, arroz e feijão com Vlamir Brandalize




