Azeite Extravirgem no Rótulo, Qualidade Inferior no Frasco: O Que os Laudos do Mapa Revelaram

Azeite Extravirgem Irregular: Laudos do Mapa Apontam Fraudes no Brasil

Se você compra azeite de oliva extravirgem e paga mais caro por acreditar na qualidade descrita no rótulo, os laudos divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trazem uma informação que precisa conhecer: análises oficiais indicaram que algumas das marcas mais vendidas nos supermercados brasileiros não entregam o que prometem.

Os exames foram realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), unidade oficial do Mapa, por determinação judicial dentro de uma ação civil pública conduzida pelo Ministério Público em São Paulo. O resultado aumentou a pressão por mais fiscalização no mercado de azeites importados e reacende um debate que o setor já conhece, mas que raramente chega de forma tão clara ao consumidor.

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O Que os Laudos Encontraram

As análises sensoriais identificaram dois tipos de irregularidade:

Azeites classificados como virgens, vendidos como extravirgem: marcas como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour, entre outras, comercializadas como extravirgem, foram classificadas pelos laudos como azeites virgens, categoria tecnicamente inferior.

Azeites classificados como lampantes: Costa D’Oro e Terras de Camões foram enquadrados como azeite lampante, categoria considerada inadequada para consumo direto sem processo de refino.

A procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn afirmou que os resultados confirmam as suspeitas levantadas durante a investigação e que novas medidas judiciais devem ser solicitadas com base nos laudos.

Por Que Essa Diferença Importa

Não é apenas uma questão de rótulo. A diferença entre azeite extravirgem e as categorias inferiores tem impacto direto no valor nutricional do produto que você leva para casa.

A nutricionista Isabel Kasper explica que todos os azeites de oliva têm predominância de ácido oleico, uma gordura monoinsaturada associada a benefícios cardiovasculares. O que diferencia o extravirgem é a concentração de compostos bioativos, especialmente polifenóis e antioxidantes, que estão relacionados a:

  • Proteção contra processos inflamatórios
  • Manutenção da saúde cerebral e intestinal
  • Possíveis efeitos na prevenção de doenças crônicas

Esses compostos dependem diretamente da qualidade da matéria-prima, do processamento correto e das condições de armazenamento. Com o envelhecimento do produto ou com processamento inadequado, parte dessas substâncias se degrada e o azeite perde as características que justificam a classificação como extravirgem.

Já o azeite lampante, em sua condição original, não é destinado ao consumo humano direto. Ele precisa passar por processos específicos de tratamento antes de estar apto para alimentação.

A Diferença Entre as Categorias

Categoria Características Apto para consumo direto?
Extravirgem Máxima qualidade, acidez até 0,8%, rico em polifenóis Sim
Virgem Boa qualidade, acidez até 2%, menos compostos bioativos Sim
Lampante Defeitos sensoriais relevantes, acidez acima de 2% Não, sem refino

O Que o Ibraoliva Diz

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) afirmou que os resultados confirmam alertas que a entidade já havia feito sobre a qualidade de parte dos azeites importados comercializados no Brasil.

Para o presidente Flávio Obino Filho, os testes reforçam a necessidade de maior rigor no controle dos produtos que chegam ao país. Segundo ele, diferenças significativas de preço entre azeites importados mais baratos e extravirgens de maior qualidade costumam estar relacionadas ao tempo de armazenamento, às características sensoriais e à qualidade da matéria-prima.

Por isso, o preço baixo de um azeite “extravirgem” pode ser um sinal de que o produto não corresponde ao que a embalagem diz.

O Que O Ministério Público Está Pedindo

A ação civil pública conduzida pelo MP em São Paulo busca ampliar os mecanismos de controle sobre a importação e comercialização de azeites no Brasil, tanto de produtos importados a granel quanto dos já envasados.

Para o MP, o problema ultrapassa a questão comercial e envolve proteção da saúde pública, uma vez que produtos classificados como lampantes estão sendo vendidos como próprios para consumo direto.

Novas medidas judiciais estão sendo avaliadas com base nos laudos do LFDA.

O Que Você Pode Fazer Como Consumidor

Com o debate ainda em curso e as marcas investigadas ainda sendo comercializadas, algumas práticas práticas podem ajudar a reduzir o risco de comprar um produto irregular:

  • Verifique a data de validade e a data de colheita: azeites extravirgens de qualidade costumam indicar o ano da safra na embalagem. Produto mais antigo tem maior chance de oxidação
  • Prefira embalagens escuras ou latas: a exposição à luz degrada os compostos bioativos e reduz a qualidade do azeite ao longo do tempo
  • Desconfie de preços muito abaixo da média: produzir um azeite extravirgem de qualidade tem custo. Um produto muito barato dificilmente entrega o padrão da categoria
  • Busque selos de certificação de origem: azeites com Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP) passam por controles mais rigorosos
  • Acompanhe as atualizações da fiscalização: o Mapa e o Ministério Público devem divulgar novas informações sobre a ação à medida que o processo avança

O mercado de azeite de oliva no Brasil cresceu muito nos últimos anos. Mas o crescimento do consumo sem fiscalização proporcional abriu espaço para a entrada de produtos que não cumprem o que declaram. Os laudos do Mapa são um passo importante, mas a solução definitiva depende de controle permanente, não apenas de ações pontuais.


Acompanhe no Portal da Agroindústria as atualizações sobre fiscalização de alimentos, mercado de azeite e regulamentação do setor agroindustrial brasileiro.


FAQ – Perguntas Frequentes

P: O que os laudos do Mapa encontraram nos azeites vendidos no Brasil?

R: Análises sensoriais do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária identificaram que produtos de marcas como Andorinha, Gallo, Borges e Filippo Berio, comercializados como extravirgem, foram classificados como azeites virgens. Já os produtos das marcas Costa D’Oro e Terras de Camões foram enquadrados como azeite lampante, categoria inadequada para consumo direto sem refino.

P: Qual é a diferença entre azeite extravirgem, virgem e lampante?

R: O extravirgem tem acidez máxima de 0,8% e concentração elevada de polifenóis e antioxidantes, sendo a categoria de maior qualidade e valor nutricional. O virgem tem acidez até 2% e menos compostos bioativos. O lampante apresenta defeitos sensoriais relevantes e acidez acima de 2%, sendo inadequado para consumo direto sem processo de refino.

P: O azeite lampante faz mal à saúde?

R: O azeite lampante, em sua condição original, não é destinado ao consumo humano direto. Ele precisa passar por processos específicos de refino antes de estar apto para alimentação. Segundo o Ministério Público, a comercialização de produtos classificados como lampantes como se fossem próprios para consumo direto representa um problema de saúde pública.

P: Como identificar um azeite extravirgem de qualidade no supermercado?

R: Verifique a data de colheita na embalagem, prefira embalagens escuras ou latas que protegem da luz, desconfie de preços muito abaixo da média do mercado e busque selos de certificação de origem como DOP ou IGP. Produtos sem data de safra ou com preço atipicamente baixo têm maior chance de não corresponder ao padrão da categoria.

Fonte de Referencia

Portal do Agronegócio

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