A exportação de açúcar brasileira segue com programação robusta nos portos, mesmo diante de indicadores mensais mais fracos. O line-up nacional aponta embarque de 2,411 milhões de toneladas nas próximas semanas, uma redução de aproximadamente 9% frente às 2,651 milhões de toneladas previstas no levantamento anterior.
Na semana encerrada em 23 de setembro, 59 navios aguardavam para carregar açúcar no Brasil. O relatório considera embarcação já atracada, aquela que permanece ao largo esperando autorização e as que têm chegada programada até 3 de novembro.
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Santos concentra a maior parte da programação
O Porto de Santos, em São Paulo, segue como principal corredor de saída do açúcar nacional, concentrando 2.130.575 toneladas do volume previsto. Paranaguá, no Paraná, e Recife, em Pernambuco, completam a programação dos embarques brasileiros.
Se você acompanha logística de exportação, essa concentração em Santos reforça um padrão já conhecido do setor: qualquer gargalo operacional nesse porto específico tem potencial de afetar boa parte do fluxo de açúcar destinado ao mercado externo.
VHP segue como carro-chefe da exportação
O açúcar VHP, principal variedade brasileira vendida ao mercado internacional, representa a maior fatia das cargas no line-up, com mais de 2,13 milhões de toneladas. A programação também inclui 191,1 mil toneladas de açúcar cristal B-150, cerca de 57 mil toneladas de VHP em saca e 11 mil toneladas de açúcar refinado A45.
Essa predominância do VHP reflete o perfil histórico das exportações brasileiras. Por ter menor nível de processamento, o produto costuma seguir principalmente para refinaria instalada nos países compradores, que completam o processo de refino já em destino.
| Tipo de açúcar | Volume no line-up |
|---|---|
| VHP (a granel) | Mais de 2,13 milhões de toneladas |
| Cristal B-150 | 191,1 mil toneladas |
| VHP em saca | ~57 mil toneladas |
| Refinado A45 | 11 mil toneladas |
Setembro fecha com queda em volume, receita e preço
Na parcial de setembro, considerando os primeiros 13 dias úteis, o Brasil exportou 1.767.200 toneladas de açúcar e melaço, gerando receita acumulada de US$ 633,181 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O preço médio das vendas externas ficou em US$ 358,30 por tonelada, com média diária de 135,938 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 48,706 milhões por dia útil.
Na comparação com o mesmo mês de 2025, três indicadores recuaram ao mesmo tempo:
- A receita média diária caiu 17%, de US$ 58,686 milhões para US$ 48,706 milhões
- O volume médio diário embarcado recuou 7,8%, de 147,471 mil toneladas para 135,938 mil toneladas
- O preço médio por tonelada caiu cerca de 10%, de US$ 398 para US$ 358,30
| Indicador | Setembro/2025 | Setembro/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita média diária | US$ 58,686 milhões | US$ 48,706 milhões | -17% |
| Volume médio diário | 147,471 mil toneladas | 135,938 mil toneladas | -7,8% |
| Preço médio por tonelada | US$ 398 | US$ 358,30 | -10% |
Por que a receita caiu mais que o volume
Esse é o ponto que merece atenção de quem acompanha o setor sucroenergético. Quando volume e preço caem ao mesmo tempo, o efeito sobre a receita se soma, em vez de se compensar. É exatamente isso que explica por que a queda na receita diária, 17%, foi maior do que a redução isolada de qualquer um dos dois fatores separadamente.
Para o exportador, esse cenário significa reduzir custo operacional se possível ou ajustar estratégia de venda, já que cada tonelada embarcada está rendendo bem menos do que rendia há um ano.
Programação portuária ainda depende de fatores operacionais
Apesar da retração nos números mensais, o Brasil mantém programação expressiva de embarque nos portos. A efetivação desse volume de 2,4 milhões de toneladas, porém, depende do cumprimento da escala dos navios, da condição operacional nos terminais e da chegada das carga dentro do prazo previsto.
Ou seja, o número que aparece no line-up é uma projeção, não uma garantia. Atraso logístico, problema operacional no porto ou mudança na programação de navio podem alterar esse volume nas próximas semanas.
O que acompanhar nas próximas semanas
Para quem trabalha com comercialização, logística ou gestão de usina, alguns pontos ajudam a entender o que vem pela frente:
- Evolução do preço internacional do açúcar, que impacta diretamente a receita por tonelada
- Ritmo de chegada dos navios programados até o início de novembro
- Capacidade operacional do Porto de Santos, que concentra a maior parte da carga
- Comportamento da demanda internacional, que pode determinar se o volume embarcado se recupera ou segue em queda
Enquanto o mercado internacional não mostrar recuperação clara no preço, a tendência é de resultado financeiro mais apertado por tonelada exportada, mesmo com volume relevante ainda na fila dos portos brasileiros.
Continue acompanhando o Portal da Agroindústria para as próximas atualizações sobre exportação e mercado do setor sucroenergético.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quanto o Brasil planeja exportar de açúcar nas próximas semanas?
R: O line-up dos portos aponta 2,411 milhões de toneladas programadas, uma redução de cerca de 9% frente ao levantamento anterior.
P: Qual porto concentra a maior parte da exportação de açúcar?
R: O Porto de Santos, em São Paulo, com 2.130.575 toneladas previstas, seguido por Paranaguá e Recife.
P: Por que a receita da exportação de açúcar caiu tanto em setembro?
R: Porque volume e preço médio caíram ao mesmo tempo, 7,8% e 10% respectivamente, o que somou os dois efeitos e resultou numa queda de 17% na receita diária.
P: O que é o açúcar VHP?
R: É a principal variedade exportada pelo Brasil, com menor nível de processamento, geralmente destinada a refinarias instaladas nos países compradores.
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