Consumo de fertilizantes no Brasil pode cair em 2026: o que muda no seu custo e na sua adubação

Consumo de fertilizantes no Brasil pode cair em 2026

Depois de bater recorde em 2025, o consumo de fertilizantes no Brasil deve recuar de forma forte neste ano. Compras adiadas, crédito difícil e insumos caros fizeram o setor rever as contas. Hoje, a expectativa é de um volume parecido com o de 2022, e há quem aposte em números ainda menores. Se você planeja a adubação da próxima safra, entender esse movimento ajuda a decidir melhor quando e quanto comprar.

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O tamanho da queda

Em 2025, o consumo nacional chegou a 49,1 milhões de toneladas, o maior da história. Para 2026, as projeções divergem.

Fonte Projeção para 2026
Argus (estimativa de agosto) Cerca de 45 milhões de toneladas
Mosaic Entre 42 e 44 milhões de toneladas
CNA Possível resultado abaixo de 42 milhões de toneladas
Referência: 2022 Cerca de 41 milhões de toneladas

A Mosaic calcula que as entregas do setor podem cair entre 10% e 15% em 2026. Em agosto, a estimativa de mercado ainda estava perto de 45 milhões de toneladas, segundo a Argus. Desde então, o ritmo lento das compras levou o setor a recalcular.

Renata Cardarelli, da Argus, cita dois motivos para a revisão. O primeiro é a falta de uma demanda forte de última hora para o plantio da soja 2026/27. O segundo é o comportamento das importações de nitrogenados. Já Ana Lígia Lenat, da CNA, soma a esse quadro as limitações na produção de fosfatados, o que reforça a chance de ficar abaixo de 42 milhões.

O gargalo do enxofre

O enxofre é matéria-prima dos fertilizantes fosfatados, e sua falta virou o maior problema da indústria. A guerra no Oriente Médio afetou o fornecimento e fez empresas suspenderem ou reduzirem atividades no Brasil.

A Mosaic anunciou paralisações temporárias ou parciais em cinco plantas e redução de produção em duas unidades de mistura. Felipe Pecci, vice-presidente comercial da empresa, avalia que o mercado pode entrar em 2027 com estoques menores, importações reduzidas e produção nacional limitada pela dificuldade de acesso ao enxofre.

Segundo ele, um consumo abaixo de 42 milhões de toneladas não está descartado. O desfecho depende de três fatores: o calendário de compras para a safrinha, os efeitos do El Niño e possíveis restrições da China às exportações de sulfato de amônio.

Para entender o que esse cenário pede de planejamento, veja também o texto sobre nitrogênio e fósforo na safra 2026/27.

Os números das entregas até julho

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) registrou 22,9 milhões de toneladas entregues entre janeiro e julho, queda de 8,8% sobre o mesmo período de 2025. Só em julho, foram 3,9 milhões de toneladas, 22,3% a menos que um ano antes.

A produção nacional de fertilizantes intermediários também caiu. Em julho, somou 517 mil toneladas, baixa de 19,9%. No acumulado de sete meses, foram 3,3 milhões de toneladas, redução de 19,7%. A Anda liga o resultado principalmente às altas sucessivas do enxofre.

O preço do enxofre recuou, mas ainda pesa

Dados da StoneX mostram queda de 23% no preço do enxofre em sete semanas, levando o valor para menos de US$ 1.000 por tonelada. A indústria, porém, ainda considera o patamar alto.

Bernardo Silva, do Sinprifert, lembra que a pressão não vem só da guerra. A demanda ligada à transição energética já empurrava os preços antes do conflito. Na avaliação dele, o abastecimento de fertilizantes segue exposto a riscos no curto e no médio prazo.

Outro fator de custo é o petróleo. Confira como a alta do petróleo pressiona os fertilizantes e o que isso significa para a sua compra.

O que o produtor está fazendo

Com insumo caro e crédito curto, muitos agricultores adiam compras e ajustam a adubação. Mauricio Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, conta que parte dos produtores recorre ao fósforo acumulado no solo em anos anteriores para reduzir temporariamente a reposição.

Ele reconhece que cortar adubo pode afetar a produção, mas diz que a medida entra na conta diante da dificuldade financeira e do risco de aumentar o endividamento. O efeito depende da fertilidade de cada área e do manejo adotado na propriedade.

A indústria também sente. A Yara teve lucro líquido de US$ 199 milhões no terceiro trimestre, queda de 37,8% sobre um ano antes. Diogo Rezende, da Yara Brasil, aponta que, além da geopolítica, a rentabilidade de algumas culturas e as restrições de crédito mexem no ritmo de compra.

Esse movimento ocorre em um ano de soja com crescimento tímido. A Conab projeta área 1,4% maior em 2026/27, o menor avanço em 20 anos, e produção de 181,6 milhões de toneladas.

O que isso muda para você

Na prática, o consumo de fertilizantes no Brasil em queda sinaliza um mercado de insumos com oferta apertada e decisões difíceis no campo. Algumas ações práticas ajudam:

  • Faça a análise de solo antes de cortar adubo. Reduzir a reposição só faz sentido onde o teor de fósforo realmente permite. Veja por que sua análise de solo pode estar te enganando para não decidir no escuro.
  • Priorize áreas e culturas de maior retorno. Se o orçamento não cobre tudo, concentre a adubação onde o investimento volta mais rápido.
  • Observe o calendário de compras da safrinha. Se os estoques de 2027 vierem menores, como projeta a Mosaic, comprar tarde pode custar mais ou faltar produto. Acompanhe também as janelas de preço, como a que se discute em ureia em queda e a oportunidade para a safrinha 2027.

Veja um exemplo. Imagine um produtor de soja com análises mostrando bom teor de fósforo em metade da área. Ele pode reduzir a reposição nesses talhões neste ciclo e manter a dose cheia nas áreas mais fracas. Converse com seu agrônomo antes de definir os números, porque a resposta muda conforme o solo e a cultura.

Quer receber análises de insumos, custos e mercado com foco na sua decisão de compra? Continue acompanhando o Portal da Agroindústria e veja os próximos conteúdos sobre fertilizantes e planejamento da safra.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Quanto o consumo de fertilizantes no Brasil pode cair em 2026?

R: A Mosaic projeta entregas entre 42 e 44 milhões de toneladas, e a CNA considera possível um resultado abaixo de 42 milhões. Em 2025, o consumo foi recorde, com 49,1 milhões de toneladas.

P: Por que o consumo de fertilizantes está em queda?

R: Os principais motivos são compras adiadas, crédito restrito, custos elevados e a escassez de enxofre, que limita a produção de fertilizantes fosfatados.

P: Qual a relação entre enxofre e fertilizantes fosfatados?

R: O enxofre é matéria-prima dos fosfatados. Sua escassez e as altas de preço levaram empresas a suspender ou reduzir a produção em unidades no Brasil.

P: Reduzir a adubação pode prejudicar a lavoura?

R: Pode. O impacto depende da fertilidade de cada área e do manejo. Por isso, a análise de solo é o primeiro passo antes de reduzir a reposição de nutrientes.

Fonte de Referência:

Portal do Agronegócio | Consumo de fertilizantes no Brasil pode cair para menos de 42 milhões de toneladas em 2026 |  | Notícia de 29/10/2026 com projeções da Mosaic, CNA e Argus, dados da Anda e da StoneX e falas de representantes de Aprosoja, Sinprifert e Yara.

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