Preço do arroz e do feijão: por que a alta deve continuar até 2027

Preço do Arroz e Feijão em Alta: O Que Esperar até 2027

Se você produz ou comercializa grãos, novembro começa com um sinal claro: tanto o preço do arroz quanto o preço do feijão estão em trajetória de alta, sustentados por oferta limitada e por um cenário internacional que reforça a tendência. Entender os fundamentos por trás desses dois mercados ajuda você a decidir o melhor momento de vender ou negociar sua produção.

Veja também:

Trigo, arroz e feijão: o panorama de outubro que o produtor precisa conhecer

Feijão: colheita pequena mantém pressão nos preços

Na prática, a colheita do feijão carioca no sudoeste de São Paulo, na região de Paranapanema e Taquarituba, está em andamento, mas com volume reduzido. Isso tem mantido as cotações firmes mesmo durante o período de colheita, quando normalmente se espera alguma pressão de queda.

O feijão carioca da linha 9 está cotado entre R$ 330 e R$ 350 no mercado paulista, com vendedores já pedindo R$ 400, embora ainda sem volume de negócios nesse patamar. A expectativa é de pressão de alta ainda maior na próxima semana, quando os empacotadores devem voltar ao mercado para repor estoque.

O feijão comercial da linha 8 e 8,5 está entre R$ 290 e R$ 310 em Goiás e Minas Gerais, e entre R$ 305 e R$ 320 no mercado paulista, que historicamente valoriza mais o produto.

Feijão preto: a safra que praticamente não existe em algumas regiões

Pensando na rotina de quem produz na região tradicional de feijão preto, o cenário é preocupante. O excesso de chuva fez muitos produtores não acreditarem no plantio neste ano, reduzindo drasticamente a área cultivada. O resultado é uma safra extremamente pequena, com produtores relatando praticamente nenhum feijão preto disponível em propriedades vizinhas.

O preço reflete essa escassez: há poucos meses o feijão preto estava cotado entre R$ 190 e R$ 220, e hoje já opera entre R$ 270 e R$ 290, com vendedores pedindo R$ 300 há mais de um mês. O movimento foi comparado ao que aconteceu recentemente com o boi gordo, que também era esperado chegar aos R$ 400 na B3 e já superou esse patamar. A expectativa é que o feijão preto siga o mesmo caminho nos próximos dias.

O que vem pela frente

O detalhe que faz diferença aqui é que o mercado deve entrar em um vazio de oferta já no início de 2027, com pouco feijão disponível tanto na linha carioca quanto na preta. Se você tem produto em mãos, esse cenário de escassez tende a sustentar os preços por um bom tempo.

Arroz: outubro fecha em alta depois de começo fraco

Se você acompanha o mercado gaúcho de perto, outubro teve dois momentos bem distintos. O mês começou com queda de R$ 2 por saca na primeira quinzena, operando entre R$ 1 e R$ 2 abaixo dos níveis de setembro. Mas a partir da semana anterior, o mercado reagiu e fechou o mês consolidado em alta de R$ 1 a R$ 2 em relação ao início de outubro, recuperando os melhores níveis vistos em setembro.

Pensando na rotina do seu negócio, os valores atuais no mercado gaúcho são:

Tipo de arroz Região Valor atual
Arroz comercial Uruguaiana R$ 80
Arroz para parboilização Uruguaiana R$ 78
Porto Rio Grande (exportação) — R$ 93 a R$ 94

O detalhe que faz diferença no preço de exportação é a disparada recente do dólar, que elevou o valor pago no Porto Rio Grande de R$ 90 em setembro para a faixa atual de R$ 93 a R$ 94.

Banco Mundial projeta alta global no arroz

O cenário internacional reforça a tendência de valorização. O Banco Mundial projeta alta no preço do arroz devido aos estragos causados pelo El Niño na safra asiática. O arroz que hoje está cotado em torno de 401 dólares por tonelada na Ásia deve subir para a faixa de 445 a 450 dólares já no início de 2027, com expectativa de chegar a 500 dólares por tonelada em meados do ano que vem.

Esse movimento de alta também se estende ao trigo, com quebra de safra global e demanda superando a produção em ambos os grãos, segundo a avaliação do Banco Mundial. Esse cenário internacional positivo abre espaço para o Brasil seguir exportando com força.

Como está o plantio do arroz no Brasil

O plantio da safra brasileira avança em ritmo variado conforme a região:

  • Rio Grande do Sul: cerca de 60% plantado, com a região de Uruguaiana, maior produtora do país, já em torno de 80%
  • Santa Catarina: mais de 90% plantado, em reta final
  • Tocantins: plantio ainda deve ganhar ritmo em novembro e dezembro

Varejo: preço ainda defasado deve reagir na próxima semana

Se você acompanha o varejo, vale notar que o arroz brasileiro segue sendo um dos mais baratos do mundo em relação à qualidade oferecida. O pacote promocional de 5 kg ainda é encontrado por R$ 18, enquanto marcas nobres variam entre R$ 27 e R$ 36 o quilo.

Na semana anterior, o giro de vendas aumentou com a antecipação do Bolsa Família, que impulsionou a compra de arroz e feijão pela população. Com a reposição do varejo prevista para a próxima semana, a expectativa é de alta adicional de R$ 1 a R$ 2 no pacote, já que o produto brasileiro está defasado em relação ao custo de reposição.

O que fazer na prática diante desse cenário

  • Se você produz feijão preto, considere que o vazio de oferta esperado para 2027 pode sustentar preços ainda mais altos nos próximos meses
  • Acompanhe o movimento cambial, já que a disparada do dólar tem impulsionado diretamente o preço do arroz destinado à exportação
  • Se você vende no varejo, prepare-se para repor estoque com preços mais altos a partir da próxima semana, considerando a defasagem atual do produto brasileiro
  • Monitore os relatórios do Banco Mundial sobre oferta global de arroz e trigo, já que a quebra de safra na Ásia reforça o cenário de alta estrutural
  • Avalie o ritmo de plantio da sua região para antecipar quando a nova oferta deve começar a aliviar os preços, especialmente no Rio Grande do Sul

Se você já passou pela experiência de segurar a venda esperando um preço melhor e viu o mercado confirmar essa expectativa, esse cenário de arroz e feijão parece seguir o mesmo caminho observado recentemente no boi gordo: fundamentos de oferta restrita sustentando preços em alta consistente.

Se esse conteúdo te ajudou a entender melhor o cenário de arroz e feijão para os próximos meses, continue acompanhando o Portal da Agroindústria para mais análises que ajudam na tomada de decisão na sua propriedade.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Por que o preço do arroz está subindo no Brasil?

R: A combinação de dólar em alta, que favorece a exportação, com projeções do Banco Mundial de quebra de safra na Ásia por causa do El Niño, está sustentando a valorização do arroz brasileiro.

P: O feijão preto está em falta no mercado?

R: A safra deste ano foi muito reduzida devido ao excesso de chuva, que fez muitos produtores desistirem do plantio, resultando em oferta escassa e preços em forte alta.

P: Quanto o Banco Mundial projeta de alta para o arroz em 2027?

R: A projeção é de que o arroz asiático, hoje em torno de 401 dólares por tonelada, chegue a 445-450 dólares no início de 2027 e possa atingir 500 dólares por tonelada em meados do ano.

P: Como está o plantio de arroz no Rio Grande do Sul?

R: O estado está com cerca de 60% da área plantada, com a região de Uruguaiana, maior produtora do país, já próxima de 80%.

P: O preço do arroz no varejo deve subir?

R: Sim, a expectativa é de alta de R$ 1 a R$ 2 no pacote a partir da próxima semana, com a reposição do varejo e o produto ainda defasado em relação ao custo atual.

Fonte de Referência:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *